sexta-feira, 26 de maio de 2017

Somos parvos por termos medo de morrer

Somos parvos por termos medo de morrer. Devíamos era ter medo de viver, porque a vida é que nos trama e nos coloca em situações limite. No fundo, a morte é apenas a salvação, o fim da dor, do medo e do fracasso. Somos parvos por termos medo de morrer, quando a vida é que é tão assustadora e ímpia. A incerteza do amanhã é que devia intimidar-nos. Se, ao menos, morressemos, tudo estaria resolvido e nada havia a temer. Mas, se continuarmos vivos, podemos ter de enfrentar os mais desgastantes momentos e as mais fortes mágoas. Enquanto estivermos vivos, os problemas permancerão. Enquanto vivermos, a dor acompanhar-nos-á. Será que os momentos de alegria valem o medo da morte quando postos ao lado dos momentos de dor e sofrimento? Será que o medo que temos é o de morrer ou o de morrer sem termos sido felizes? Andamos uma vida inteira à procura da felicidade. E, cada vez mais insatisfeitos, queremos que a morte nos vá alargando o prazo de procura.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O dia mais agridoce da minha vida

Houve um dia em que vi Coimbra de cima de um camião 
Houve um dia em que, trajada (porque me fazes bonita assim)
Te vi, Coimbra, em festa. 
E juro-te que foi o dia mais agridoce da minha vida. 
Subi ao carro e vi o início e o fim, em união 
Chama-se auge, acredito. 
E vi-te como a razão dos nossos sorrisos,
Das nossas amizades e... dos nossos amores. 
Ah, Coimbra! 
Sangro quando escrevo o teu nome.
Lamento pelos que só veêm em ti a boémia
E não percecionam a emoção que és. 
És tão mais que poesia que já desisti de tentar cantar-te. 
Mas, houve um dia, em que te vi
Seres o tudo e o nada 
Seres a alegria e a saudade 
Seres o início e o fim. 
Como és possível? 
Eu subi ao carro para te ver
Eu subi ao carro para te sentir
Para sentir a tua história, o peso da tua tradição 
Para saber e sentir que sou estudante de Coimbra 
Que faço parte de ti. 
E não imaginas como entram em erupção 
As minhas emoções quando canto 
"Coimbra é nossa e há-de ser até morrer"
Porque é mesmo isso. É mesmo assim. 
Até morrer, eu juro-te, haverá parte de mim
Que sangrará sempre que se fale no teu nome,
Coimbra. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Finais

O início começa agora. O início do fim. Nascemos a ouvir que nada dura para sempre e, ainda assim, conseguimos espantar-nos com finais. De hoje a pouco tempo, restarão apenas as memórias e a ... saudade. Essa é já tida como certa. E da dor da saudade e da memória mais nada restará. Viveu-se o que se viveu e outro tanto há-de ter ficado por viver. O tempo é soberano e não dá tréguas. Haverá um dia em que subiremos uns degraus de madeira, veremos os outros em baixo, e, lá em cima, havemos de sentir que tudo valeu a pena. Lá em cima, prestes a iniciar a viagem (do fim), havemos de perceber como fomos felizes e como tudo ficará, para sempre, guardado em nós, fazendo-se exatamente parte de nós. Ou não fosse tudo isto, o auge. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

(...) Mas eu quero ser jornalista.

Foi cedo que falei em comunicação social, mas não foi tão cedo assim que falei em jornalismo. A comunicação social não se resume ao jornalismo, mas a verdade é que o jornalismo é um pedaço muito peculiar da comunicação social. Pensar verdadeiramente em jornalismo talvez tenha acontecido apenas quando chegou o momento de preencher a candidatura de acesso ao ensino superior. É, no entanto, possível que esse pensamento tenha sido fruto daquilo que os outros percecionavam quando eu falava de comunicação social. O meu percurso ficou assim marcado pela minha feliz entrada num curso chamado de comunicação social. Em setembro, toda eu queria estudar jornalismo, mesmo sabendo que a licenciatura em que me encontrava se dividiria no segundo ano em dois ramos e só um estava ligado ao jornalismo. Ignorei integralmente o outro ramo, que dizia respeito à criação de conteúdos. Editar, mexer em computadores e naqueles programas esquisitos não seria, de todo, aquilo que eu almejaria para mim. Durante todo o primeiro semestre do meu primeiro ano, quis seguir o ramo 1: jornalismo e informação. Porém, eis que chega o segundo semestre e traz consigo as cadeiras mais ligados ao jornalismo mas também à produção audiovisual. 
Enquanto que a produção audiovisual incrivelmente me apaixonava cada vez mais, a área jornalística frustrava-me cada vez mais. A certa altura, vi-me gritar aos outros e repetir para mim mesma "eu não quero ser jornalista". Apesar de os trabalhos finais de todas as cadeiras me terem agradado, quando chegou a altura de decidir o ramo, escolhi o segundo: criação de conteúdos para novos media. Foi uma decisão muito pensada e debatida. Já não afirmava com toda a certeza que não queria ser jornalista, já não odiava o jornalismo, apenas estava demasiado fascinada pela sétima arte, pela realização e produção audiovisual. Não me arrependo. Já aprendi coisas que seria impossível aprender fora da licenciatura. E se quero ser jornalista? Acho que nunca quis tanto. Porque, na verdade, agora tenho umas luzes do que realmente é o jornalismo. Sim, frustra muito. É desesperante! No entanto, é exatamente por tudo isso que é fascinante. Enquanto que o resto me apaixona, o jornalismo seduz-me, fascina-me. É impossível de se desvendar todos os detalhes jornalísticos. E é claro que eu quero desvendar tantos quantos conseguir, e é claro que eu quero ser jornalista. Hoje, mais do que nunca, porque efetivamente agora sei, o jornalismo não é só uma profissão, não é só uma forma de se fazer alguma coisa da vida. 
O jornalismo é, como já muitos disseram, uma profissão nobre. E não se pense que os aspirantes a jornalistas não sabem de como está triste e de como é desprezada a profissão. Hoje, é o dia do jornalista e eu sinto vontade de chorar. Porque eu quero ser jornalista, mas eu recuso-me - porque tenho princípios - a praticar um jornalismo sujo. Eu quero ser jornalista, mas eu quero obedecer ao direito e à deontologia da comunicação. Eu quero ser jornalista, entre tantas outras coisas que quero ser, porque ainda que não esteja disposta a dar a vida toda ao jornalismo, estou disposta a dar-lhe por inteiro o pedaço que der. Eu quero ser jornalista, porque me preocupo com a sociedade, porque quero fazer alguma coisa pelos outros, porque quero denunciar abusos e divulgar o que deve ser conhecido. Eu quero ser jornalista porque quero provar a mim mesma e aos outros que o jornalismo só é jornalixo quando nele trabalham as pessoas erradas ou se regem os princípios errados. Eu quero ser jornalista porque eu acredito no jornalismo como uma prática ilustre, quando corretamente praticado. Eu quero ser jornalista também porque sou masoquista e tenho um q.b de altruísmo, e também porque quero ter coragem. Porque, digo-vos, não acredito que os jornalistas não tenham um q.b de masoquismo, altruísmo e coragem. Eu quero ser jornalista porque o jornalismo é fascinante e me prendeu desta forma agridoce e misteriosa que me impede de me desprender. E mesmo com todos os "mas" e com toda a pena da sociedade - porque juro que ela existe - eu quero ser jornalista. Quero ser jornalista, mesmo exposta a todas as críticas e esconjuros em praça pública. Afinal de contas, se eu tenho coragem para dizer publicamente que quero ser jornalista, ai de mim que não tenha coragem de ser jornalista! 

Aqui, fica o desabafo, o conjunto de pensamentos de uma eventual aspirante a jornalista. Aspiro jornalismo com cuidado, dada a sua peculiaridade. Tenho sempre presente que esta não é uma profissão qualquer. O nome do artigo era para ser "Eu quero ser jornalista, mas...", mas afinal não há "mas" que me faça não querer ser jornalista, há sim o que não me faça querer ser jornalista repleto de "mas". Eu não vou começar a frase com "eu quero ser jornalista, mas...", eu vou acabar a frase enumerando todos os motivos pelos quais eu poderia não querer ser jornalista, dizendo "...mas eu quero ser jornalista!".

sábado, 18 de março de 2017

O mundo onde quero ser

Este não é o mundo onde quero ser. É o mundo de onde quero fugir. Este não é o mundo que eu vi, no futuro, à minha espera. Não é o mundo das histórias que me contaram e leram. Não é o mundo que me prometeram. Agora percebo quando diziam que o bom da vida é não saber o que ela é. Este mundo, este espaço de sôfregos e âmagos, este espaço de desespero e dor, de pranto e angústia, em nada se assemelha com aquilo de que sempre me falaram ao referirem-se a isto. Se isto é a realidade nua e crua tragam-ma vestida e cozida, por favor. Assim, dispenso-a. 
Dá-me a tua mão. És tu ou todas as minhas inseguranças. És tu ou todo o meu mundo repugnante. És tu. O escape único de um mundo que não é o mundo onde quero ser. Conforto é uma palavra cara e díficil de encontrar. Dá-me o teu abraço. Prende-me no teu abraço. Os teus braços são a única armadura que me faz sentir forte e capaz de enfrentar o resto. O teu abraço é conforto, é segurança, é calma e felicidade. Não há mais nada assim para mim. Não há mais nada que me seja precisa, por agora. Dá-me a tua mão e vem escutar comigo as baladas que nos ensinaram a amar. Dá-me a tua mão e despede-te de receios. Se me deres a tua mão, prometo mostrar-te um mundo que é o mundo onde quero ser. 
Quero ser num mundo de racionalidade, repleto de falhas e surpresas. Quero ser onde possa ser o meu ser com os meus defeitos que me esforçarei por amenizar e com as minhas qualidades que farei por manter. Quero ser onde, de uma forma ou de outra, tudo tenha solução. Quero ser a poesia acesa de uma vida desejada, quero ser o fado da saudade, as palavras da sinceridade. Quero ser o corpo do pecado, cometido a dois. Quero ser num mundo imperfeito, mas racional, isento de utopias, mas vivido. Então, dá-me a tua mão, e leva-me no teu abraço numa viagem pelo mundo onde quero ser. Prometo não fugir.  

sexta-feira, 10 de março de 2017

Abastança de Identidades

O que é isso de crise de identidade? Nada para mim. Nunca me vi isenta de uma identidade. Na verdade, sempre senti que as tinha em demasia. Não se pense, pois, que ter uma abastança de identidades é melhor que uma crise. Ter uma abastança de identidades é querer ser tudo e saber que desse tudo apenas se pode ser um. De todas as identidades que vemos como nossas e que sentimos em nós, apenas podemos abraçar uma. Numa crise de identidade, não sabemos quem somos e isso pode levantar tristeza e até frustração. Porém, numa abastança de identidades existe a tristeza e a frustração de sabermos quem somos e de sabermos que não podemos ser tudo o que somos. Se numa existe a dúvida, o desespero, a ânsia de se querer saber quem se é, na outra existe a revolta e a insatisfação por não se poder ser tudo o que se é. As crises de identidade tendem a passar quando as pessoas se resolvem e encontram finalmente aquilo que são. A abastança de identidade nunca passa, é algo que nos acompanha sempre ao longo de toda a vida, porque nuns momentos somos uma parte daquilo que somos e noutros momentos somos outra parte, porém, há sempre algo que nos impede de sermos sempre tudo aquilo que realmente somos. É grave viver numa abundância de identidades. É grave e penoso. Aqui, não há caminhos para encontrar, há caminhos para eliminar. E para ganhar estamos sempre preparados, porém, para perder não há forma de apaziguar a tristeza de ver ir aquilo que tanto queríamos ver ficar. Numa abastança de sonhos, é fácil. Sabemos que temos de nos desfazermos de uns, para podermos fazer outros. É um desaponto que cai no esquecimento com o passar do tempo, ou que nos acompanha a vida toda, mas, pelo menos, acompanha sempre a mesma identidade. Numa abastança de identidades, nunca vamos saber como será o nosso futuro, sabemos como gostaríamos que fosse, sabemos tão bem quem somos!, e sabemos simultaneamente que não podemos ser tudo o que somos. E o pior de tudo é que, no fundo, a frustração de não se saber que parte de nós escolher para ser, a desilusão de não se poder ser por inteiro, é bem capaz de nos poder enviar para uma crise de identidade.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Falar de saudade sem escrever saudade

A cidade está deserta
Sem ti. 
As ruas vivem desamadas 
Sem ti. 
E eu, oh, eu!, não sou 
Se não metade de mim
Se não metade do meu amor 
Sem ti. 
Preciso-te 
Em cada dia
E sinto-te a ausência 
Em cada noite. 
Ainda ouço, acredita 
A tua voz a sussurrar no meu ouvido 
As letras das baladas que ouvimos juntos 
Junto ao Mondego... 
De capa traçada, 
Privilégios de estudante;
E de dedos entrelaçados,
Privilégios do amor. 
Ouço a tua voz 
Em cada balada que agora escuto 
Na dor da ausência de ti. 
A cidade está deserta
Sem ti. 
E eu ainda grito em silêncio 
O teu nome.
A magia apagou-se 
A tradição parece perder-se 
Em cada metro de calçada 
Se tu não vives cá 
Eu vivo sem ti 
Sem magia e sem tradição. 
Eu vivo
Eu sobrevivo
Sem ti.
Sem ti 
Estou como a cidade deserta.