sábado, 5 de abril de 2014

Quando se cresce...

Suspiro (…)
Suspiro e cada suspiro me sobrecarrega mais que o último, cada suspiro é mais pesado e mais doloroso que o outro.
Sinto o castanho dos olhos enevoar-se-me e eu, que perdi todas as forças a batalhar por um pouco de alegria, não consigo evitar esta situação. Tendo em conta todo o tempo que passamos juntas, as lágrimas poderiam, eventualmente, ser as minhas melhores amigas, porque estão sempre comigo, em todos os momentos. Apenas não digo nos “bons e maus momentos” porque simplesmente não existem os primeiros na minha vida.
Sei que de nada me adianta lançar-me por aí a distribuir culpas, porém, sinto-me injustiçada perante todos aqueles que, de algo modo, me iludiram, me fizeram acreditar no mundo e na humanidade como algo positivo, quando, na triste e ímpia realidade, o mundo é um sítio tremendamente horrível e a humanidade…onde está a humanidade? Nos seres humanos não está, certamente.
Quando se é criança é-se forçado a ouvir histórias onde, por mais peripécias que ocorram, no final todos ficam eternamente felizes, tudo acaba bem.
Quando se é criança todos nos fazem as vontades, temos o poder de fazer as escolhas e seguir os caminhos que queremos porque temos a desculpa de ser ‘pequeninos’ – frágeis e dóceis.
Quando se é criança tem-se sempre quem resolva os problemas por nós, basta uma lágrima mimada, uma ‘queixinha’ mal fundamentada ou um simples gemido para que se seja o centro das atenções e se tenha o mundo do nosso lado.
Mas (…) e quando se cresce? O que muda? O que nos deixa envoltos num estado de plena indignação, frustração e total revolta?
É que quando se cresce nem tudo corre bem, mesmo com trabalho e dedicação são muitas as vezes em que se sai derrotado.
Quando se cresce roubam-nos o poder de guiar os nossos próprios caminhos, a vida apodera-se de nós, repele-nos daquilo que mais acalentamos.
Quando se cresce sente-se que o mundo uniu esforços para nos fazer fracassar, é como se ninguém se importasse connosco, como se ninguém quisesse saber a que velocidade respiramos, e então sentimos que não somos nada e nada fazemos no mundo.
Temos vontade de sucumbir para sempre, uma assombradora vontade de fugir de tudo o que nos rodeia e atormenta.

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