segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sou livre... Tão livre que me sinto sozinha.

Sou um ponto pequenino e escuro numa cidade grande e iluminada.
Sou livre... Tão livre que me sinto sozinha. 
Ouço as rodinhas da minha mala sobre os paralelos da calçada. 
Olho à minha volta. Em dois segundos, duas mil perguntas aparecem no meu pensar. São tantas que tenho dificuldade em percecioná-las, quanto mais em responder-lhes, a todas.
É tudo novo e até mesmo estranho. 
A cidade. As pessoas. Aquele sítio a que chamamos casa. 
Mil e uma emoções percorrem o meu corpo. Sinto frio. É mania minha usar vestidos e saias no inverno. Gosto mais. Mas esta cidade é fria. 
É, ainda assim, talvez a única cidade cujo frio acolhe. 
Embrulho o pescoço no cachecol e mergulho nele o queixo, cobrindo os lábios. O vento baloiça-me os cabelos. Tenho que os cortar. Estou saturada deste cabelo comprido. É bonito e eu gosto, mas dá trabalho e está sempre igual, preciso de mudar!
Olho à minha volta. As perguntas são já cerca de três mil. Não lhes sei responder e isso leva-me a um estado de frustração. 
A frustração é quase já desespero e, num misto de emoções, as lágrimas surgem. Surge também o autocarro. Passo a mão sobre o rosto a fim de o secar e entro no autocarro. Ainda tenho que terminar alguns trabalhos para entregar amanhã.

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