quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Escreve-me. Ou lê-me.

És a peça em falta. Tu que eu não sei quem és. Tu que estás algures fora ainda da minha vida. Tu que eu procuro incessantemente em noites de insónias. Tu de quem eu sinto a falta nos meus momentos de nostalgia profunda (é de ti, certamente). Tu que me deixas vulnerável com a tua ausência. Tu. Apenas tu. 
Por onde andas, mesmo? Vais contar-me quando cá chegares, não vais? Eu vou querer saber. Vou indagar!, prepara-te. 
Não te peço muito. Apenas que me ames e me deixes amar-te. Apenas que me completes.
És capaz? Serás? 

Escreve-me. Ou lê-me. 
Não imaginas como me apaixono facilmente por palavras. Os gestos são bonitos, encantam. Mas as palavras apaixonam. A delicadeza de uma frase pode superar a de um braço ou a de um beijo.
Se não te deres bem com a escrita, então, lê-me. Até porque posso escrever para ti. Queres? Eu iria gostar muito, tenho a certeza. 
Não é pedir muito pedir que me escrevas ou que me leias, pois não? Não pode ser. Aliás, até faculto duas opções. Ou me escreves. Ou me lês. Podes escolher. 
Já te escrevo e ainda não me lês. Mas um dia vais ler. Se não leres, vais escrever-me. É para ti que escrevo, para ti que hás de ler, a menos que me escrevas. 
Podes ler-me no silêncio das minhas palavras, por vezes. Podes ler-me na calmaria do meu olhar, ou na sua confusão, será conforme. Podes ler-me das minhas atitudes de amante. Podes, se quiseres, ler-me nos meus sonhos, nos meus medos.
Acredito que escrever-me seja uma tarefa mais penosa. Afinal de contas, sou extremamente crítica e poucos autores me agradam.
Vou escrever-te com toda a minha inspiração. E tu vais ler-me. E eu vou ficar grata e feliz por isso. Oxalá tu também fiques (feliz).

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