terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Não perdoo os contos infantis!

Nunca vou perdoar o mundo, a sociedade, as pessoas, pela forma como me iludiram. 
Dizem que a adolescência é a fase das questões. Quem somos? O que é a vida? O que queremos ser? Etecéteras. Etecéteras. Questões mais profundas que nos levam para reflexões, desilusões. 
Porquê? Porque a infância é a fase em que nos iludem de todas as formas e feitios. 
Há algum conto infantil que tenha um final triste? Não. Porquê se na vida o que mais há em falta são finais felizes? Qual é a necessidade que há em que se iludam as crianças? Está bem que é bonito olhar para trás e recordarmos a infância como a fase mais feliz da nossa vida. Acontece que, quanto mais feliz é a infância, quanto mais iludidos somos, mais desilusões teremos, depois, que enfrentar. Mais sofreremos no futuro. Porque é que iludem tanto as crianças? 
Nunca escrevi para crianças. E muitas vezes já mo pediram. Ainda não o fiz, porque não sei como o fazer. Não quero iludi-las com contos de fadas que terminam com um "viveram felizes para sempre." De onde vem esta expressão? Dos contos infantis! Sim, é tudo muito lindo e mesmo em adultos todos adoram recordar estes contos. Mas vocês acreditam em finais felizes? Ou a vida mostrou-vos que estes são apenas utopia? A vida não vos provou o quão utópicos são os contos da vossa infância? Gostastes, pois, de enfrentar a realidade tal como ela é, com todas as suas consequências e dores? Não me parece... 
Claro que é díficil explicar a uma criança que a vida não é como sempre queremos. Mas dizer-lhes constantemente que tudo é maravilhoso não é o mais correto. Deve, sim, explicar-se-lhes, aos poucos, num processo gradual, que nem sempre as coisas acontecem como queremos. Às vezes sim, mas outras vezes não. Para conseguirmos aquilo que queremos temos que lutar muito e, por vezes, uma grande luta não é suficiente. 
Podemos ser felizes. Mas não completamente felizes. Haverá sempre algo em falta. Não se pode ter tudo. Por vezes, temos que fazer opções. Abdicar de umas coisas em prol de outras. 
Se isto fosse explicado às crianças, que progressivamente entenderiam, haveria, na sociedade, menos jovens deprimidos e desiludidos com a vida. 

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