quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"Talvez os livros que amamos sejam um pátio de brincadeiras" - Vanessa Lourenço

"A cria negra de Felis Mal'ak" é um livro cujas personagens são nada mais nada menos que gatos. A autora, Vanessa Lourenço, revela, ainda, que este é apenas o primeiro volume de uma trilogia. 
Como surgiu a ideia de escrever "A cria negra de Felis Mal'ak"? 
Há alguns anos atrás, perdi de forma abrupta um gato preto que era muito importante para mim. Dizem que as grandes dores são mudas e é bem verdade e nessas alturas opto por escrever. Prometi ao meu gato que ele teria um legado, que se tornaria imortal e que as pessoas saberiam quem ele foi. E aqui estamos.

Quem é Felis Mal'ak? 
Felis Mal’ak é um grande gato cinzento tigrado. É também um Anjo gato com um enorme papel nesta aventura. Para saberem mais sobre ele, terão que ler o livro.

A Vanessa é formada em psicologia. Os seus conhecimentos nesta área foram postos neste livro ou nem por isso? 
Não. O que não significa que para algumas pessoas este livro não possa funcionar como elemento de certa forma catártico, ou de algum conforto. Ainda que possa haver um ou outro pormenor de ligação entre ambos, não foi de todo essa a motivação.

O livro já tem uma 2ªedição. Como se sente ao ver uma adesão positiva por parte dos leitores? 
De facto, o meu livro atingiu a segunda edição no espaço de poucas semanas, o que é sem dúvida um motivo de orgulho para mim. Sobretudo por perceber que o legado do meu gato preto toca o coração de cada vez mais leitores em Portugal e por esse mundo fora. 
Que mensagem tenta passar no seu livro? 
Sem entrar muito pela história em si, existem três parâmetros muito importantes que procurei inserir nesta aventura: a consciencialização das pessoas para o que são os desafios e dificuldades que os animais de rua enfrentam por esse mundo fora todos os dias, a criação de uma janela que permita às pessoas ver o mundo pela perspectiva dos animais e por último – mas não menos importante – oferecer uma alternativa à forma como encaramos a perda dos animais que amamos. Podemos escolher ver na morte um fim, ou apenas o início de novas aventuras.

Qual é a ligação que tem com animais, nomeadamente, com gatos? 
Eu sou uma amante de animais por natureza. Sempre fizeram parte da minha vida e não vejo a minha vida sem eles. Os gatos... os gatos são criaturas muito especiais, rodeados de misticismo. E tal como todos os outros animais que cruzam o nosso caminho, têm mensagens muito interessantes para todos aqueles que estiverem dispostos a ouvir. Neste livro, todos os personagens relevantes são baseados em gatos reais da minha vida, e possuem inclusivamente traços das suas personalidades. É a minha homenagem à forma como enriquecem a minha vida.

Pensa escrever e voltar a publicar algo que não esteja relacionado com gatos? 
Neste momento não, uma vez que “A cria negra de Felis Mal’ak” é o primeiro volume de uma trilogia, da qual me encontro neste momento a escrever o segundo volume. Mas de futuro, veremos.

A escrita é, na sua opinião, um importante vínculo na imaginação das pessoas? 
As pessoas gostam de contadores de histórias porque lhes permitem ter acesso a aspectos de si mesmos que a vida de todos os dias não permite experienciar. Uma boa história detém a capacidade de inspirar, de fazer sonhar, de fazer sorrir. E muitas vezes de fazer a diferença na vida dos leitores. Não porque não detenham em si mesmos essa capacidade, mas porque lhes oferece uma ferramenta para o alcançar. Talvez os livros que amamos sejam isso mesmo, um pátio de brincadeiras onde podemos por vezes libertar-nos do que a vida nos exige e alcançar um pouco da magia que tem para nos oferecer.

Sem comentários:

Enviar um comentário