sábado, 16 de abril de 2016

Mas ai que tu és real

Eu estava em trabalho quando te avistei. Depois de conhecer o teu sorriso por fotografias e a tua personalidade pelas palavras que escrevias. Terás, algum dia, por acaso, reparado numa fotografia minha ou lido as minhas palavras? Quiçá. Desvio-me para que não nos cruzemos. Não estou bonita hoje. Estou em trabalho. É de manhã e passei a noite num bar desta cidade a beber. Apanhei o cabelo porque não tive tempo de o lavar e está áspero e cheira a tabaco. Não me maquilhei, pois seria estúpido tendo em conta as circunstâncias. Vesti umas calças de ganga, calcei as minhas vans e vesti uma sweatshirt. Tenho um bloco de notas e uma caneta na mão para anotar as perguntas da entrevista que vou fazer, mas só me apetece anotar a sutileza de cada movimento teu. Acabo de me perder. Já não sei para onde me dirijo, e eis que depois do desvio caminho mesmo atrás de ti. Inspiro fundo na esperança de inalar o teu perfume, porém, lembro-me que o desconheço. És real. Agora não resta superfície para dúvidas. És real e ai que morro por saber que és real. Abro o bloco de notas e começo a escrever. A sensualidade com que mudas os pés e caminhas, lançando charme na minha mente, o teu cabelo que o vento desloca lentamente. Não deixo que nenhum detalhe me escape. Terminaram as folhas deste bloco. A entrevista vai ter que ficar para outro dia. Mas ai que tu és real. Ninguém me contou, eu vi(-te).

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