terça-feira, 12 de abril de 2016

"O Alto" em alta

Se, antes, me falassem de Marco de Canaveses, provavelmente, pensaria em tudo, menos numa série de TV. 
No entanto, hoje, este território do distrito do Porto, deu ao país, mais que entretenimento, inovação e mostras de talento. 
"O Alto", assim se chama a minissérie, de 7 episódios, que chegou à televisão na semana passada e, diz a comunicação social, "apaixonou os portugueses". 
Em 1960, durante o regime salazarista, a família João-Azevedo é, pela existência da PIDE, forçada a abandonar as terras marcoenses e exilar-se. Para trás, ficam amores proibidos, ficam segredos por desvendar e ficam vinganças por servir. 
Em 1980, o ecrã colori-se e a família regressa a Marco de Canaveses, onde as mudanças já se sentem: um país onde já não há ditadura, um visconde onde já não existem títulos, uma casa que o tempo desasseou. 
Há descobertas para fazer em cada um dos 7 episódios. 
Sendo uma série de amadores, nem tudo é, naturalmente, perfeito. Apesar disso, o empenho é notório. Embora nem todos os atores sejam sensacionais a representar e existam personagens com aparelho nos dentes, a série não perde a magia, para aqueles que, durante pouco mais de meia hora, se deleitaram sobre o ecrã.
A RTP2 está, mais uma vez, de parabéns, por se distinguir dos outros canais, com a sua programação de requinte. 
Os Alphatones (grupo produtor da série) estão também de parabéns, quer pelo trabalho realizado, quer por terem feito esse mesmo trabalho ser partilhado com todos. 
A banda sonora é deliciosa, a história é arrebatadora, cada personagem é especial e seria impossível eleger uma favorita. 
O último episódio é, talvez, o mais forte a nível emocional. 
A história acaba sem acabar, muitas revelações ficam por fazer, amores ficam por reencontrar, palavras ficam por dizer, acontecimentos ficam por acontecer, e uma questão por responder: tudo ficará por aqui? 

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