sábado, 4 de junho de 2016

Masoquismo efervescente

Quando nos sentimos felizes quais são exatamente as sensações que nos dominam? Que estupidez querer exatidão quando se fala de sentir. 
Mas que coisa é essa da felicidade e por que razão há tanta gente a queixar-se da sua ausência? 
É que tristezas, desilusões, todos têm, todos expõem, todos partilham. E as alegrias, a sensação de felicidade não pode revelar-se por que razão? 
Sim. Nada dura sempre. Os momentos mudam. Os sentimentos à flor da pele não são sempre semelhantes. Os momentos de felicidade não são eternos. Os de desgosto também não. É por isso que a vida é tão especial.
Não obstante, se promovemos tanto as desilusões e infelicidades porque não valorizamos as - ainda que, por vezes, pequenas - alegrias? 
Somos pessimistas e masoquistas. Não aceitamos o que de bom a vida nos proporciona. Fechamos os olhos aos aspetos positivos como se eles fossem apenas ilusão. Não. Não são. Ilusão é acharmos que tudo o que é bom - só porque é bom - nos está a iludir. 
O mundo seria feliz se as pessoas se deixassem ser felizes. Se entregassem sem medos. Se libertassem das próprias amarras. Não temos porque não agarramos. Não sentimos porque não abrimos o coração. 
Todos os dias acontecem coisas boas e más. E se nada de mau acontecer é porque já foi um bom dia, ainda que rotineiro. Mas quantos de nós nos deitamos na cama, ao final do diz, e pensamos "este dia foi feliz, que bom viver."? Pois... Mas o "Hoje foi um mau dia" ninguém hesita dizer ou pensar. Não há mal nisso. O mal é não sermos equitativos. O mal é só vermos por metades. O mal é este apego ao masoquismo que parece crescer - nas sociedades - a cada dia que passa. Quase que vira moda. Antes, havia a vergonha de confessar uma depressão. Hoje, parece haver orgulho nisso. 
Casos não são casos, é certo. Porém, acusem-se aqueles que assumem a felicidade sem pudor, aqueles que se entregam à vida sem "ses". Acusem-se e eu calo-me. 

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