quarta-feira, 20 de julho de 2016

(Triste) Pensamento do dia

Sou demasiado vazia quando me vacilam as personagens. Sou demasiado vazia quando a vida me obriga a ser somente eu. Talvez ninguém entenda que a arte me completa, que eu nunca me sentirei completa sendo apenas uma personagem. Recuso-me a viver uma só vida, a ter somente os meus sentimentos e desconhecer as emoções de outras realidades fictícias. Recuso-me a viver sem teatro. Porque, honestamente, eu elegeria a morte se me forçassem a negar personagens além de mim. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O Esplendor de Portugal

Silêncio que se vai cantar "A Portuguesa". O sonho português permanece aceso. 
Os ecrãs deixam transparecer parte dos nervos sentidos em campo, porém, há esperança em cada 11: nos 11 jogadores em campo e nos 11 milhões de portugueses que, como sempre, acreditam. Se Portugal vencer vai à final, e poderá, então, ter a desforra desejada desde 2004.
O jogo começa da mesma forma de grande parte dos jogos da seleção neste campeonato - apagado. Apesar de ter sido o primeiro a rematar - aos 16 minutos - Portugal não conseguiu marcar golos, na primeira parte do jogo. 
O País de Gales não esteve melhor. O resultado final desta primeira parte ficou, nada mais, nada menos que 0-0. Um 0-0 equilibrado, que - relembrando os anteriores jogos deste Euro - poderia muito bem manter-se até aos 90 minutos. 
Tal não aconteceu. O Portugal da segunda parte em nada se assemelhava ao Portugal da primeira parte. Aos 49', Cristiano Ronaldo - que bem faz por merecer o título de melhor do mundo - marca, de cabeça, deixando Portugal em vantagem. 
A situação de vantagem - a que Portugal pouco habituado tem estado nestes jogos - acentuar-se-ia quando, três minutos depois, Nani marca o segundo golo. 
Mais do que em qualquer momento neste Euro, o país acredita na Seleção e anseia a final. Afinal de contas, ainda há mesmo contas por ajustar, desde há doze anos atrás. 
À medida que os 90' se aproximam, as garantias de que Portugal vai estar - mesmo! - na final aumentam.
E não é que Portugal - por incrível que pareça neste campeonato - chegou aos 90' sem estar empatado!? Chegou aos 90' em vantagem. E, melhor ainda, chegou aos 90' a garantir o seu lugar na final. 
Portugal - que na fase de grupos até que andou a brincar - prova assim merecer ganhar. Oxalá, a história se repita no próximo jogo. Oxalá, dia 10, Portugal volte a merecer vencer - e vença! 
Que esta nação continue "valente e imortal" e que se levante - agora sim - "o esplendor de Portugal"!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pensamento do dia (ou divagações da madrugada)

É díficil percecionar os momentos, no momento. Nem sempre é explícita a explicação de atitudes e palavras que outrora usamos. Porém, o tempo passa e deixa ficar evidências. No momento, sentimos a sua força. Depois do momento, percecionamos a sua força. Nada é dito por acaso. Nenhuma ação é por acaso. O tempo é mágico. E o mais bonito é que a vida também. 

domingo, 3 de julho de 2016

Não há poesia no verão

O sol queima. Há chapéus, vestidos coloridos e fruta nos pomares. A sombra torna-se prazerosa. Os corpos mergulham na água da piscina e do mar. E outra água se dá a bebés e idosos, para que não desidratem. Há quem delire com o escurecer da pele e o clarear dos cabelos; há quem delire com o calor das longas noites de verão; há quem delire pelas festas, pelas férias, pelos dias solarengos. Tudo muito lindo. Mas tudo tão vazio. O verão, de todas as estações, é talvez aquela que menos magia tem, sendo tantas vezes e por tantas pessoas sobrevalorizado. Não existe a magia da paisagem coberta dos diversos castanhos das folhas que as árvores largam, como existe no outono. Não existe a poesia do desabrochar das flores e da chegada dos primeiros raios de sol, como existe na primavera. Não existe a neve e o frio que nos atiram para um sofá com um cobertor e um filme, nas tardes de domingo, como existe no inverno. O verão engole-nos na sua monotonia. Veja-se ao ponto a que chegamos quando se passa um ano inteiro a ansiar pela "rotina de verão"; nunca uma rotina há-de ser algo de fascinante, é, por outro lado, entediante! Olá verão, era isto que queria dizer-te: és entediante. Engraçado, nos primeiros tempos, mas com o passar dos dias tornas-te insuportável para os apreciadores de poesia. É complexamente penoso encontrar em ti poesia e isso, desculpa, mas é indesculpável. Onde já se viu uma estação do ano escassa em poesia!? Gostava de te apreciar, uma e outra vez, de desfrutar plenamente daquilo que ofereces. Porém, o que proporcionas, além de um calor abrasador!? Dias mais longos? Eu prefiro a noite. Calor e menos roupas? Eu gosto de sentir frio e de usar muita roupa. Festas? Prefiro o sossego de casa. Férias? Eu gosto de trabalhar. Rotina? Não suporto rotinas. Somos incompatíveis, querido verão. Tu ofuscas a poesia e eu vivo por ela.