domingo, 3 de julho de 2016

Não há poesia no verão

O sol queima. Há chapéus, vestidos coloridos e fruta nos pomares. A sombra torna-se prazerosa. Os corpos mergulham na água da piscina e do mar. E outra água se dá a bebés e idosos, para que não desidratem. Há quem delire com o escurecer da pele e o clarear dos cabelos; há quem delire com o calor das longas noites de verão; há quem delire pelas festas, pelas férias, pelos dias solarengos. Tudo muito lindo. Mas tudo tão vazio. O verão, de todas as estações, é talvez aquela que menos magia tem, sendo tantas vezes e por tantas pessoas sobrevalorizado. Não existe a magia da paisagem coberta dos diversos castanhos das folhas que as árvores largam, como existe no outono. Não existe a poesia do desabrochar das flores e da chegada dos primeiros raios de sol, como existe na primavera. Não existe a neve e o frio que nos atiram para um sofá com um cobertor e um filme, nas tardes de domingo, como existe no inverno. O verão engole-nos na sua monotonia. Veja-se ao ponto a que chegamos quando se passa um ano inteiro a ansiar pela "rotina de verão"; nunca uma rotina há-de ser algo de fascinante, é, por outro lado, entediante! Olá verão, era isto que queria dizer-te: és entediante. Engraçado, nos primeiros tempos, mas com o passar dos dias tornas-te insuportável para os apreciadores de poesia. É complexamente penoso encontrar em ti poesia e isso, desculpa, mas é indesculpável. Onde já se viu uma estação do ano escassa em poesia!? Gostava de te apreciar, uma e outra vez, de desfrutar plenamente daquilo que ofereces. Porém, o que proporcionas, além de um calor abrasador!? Dias mais longos? Eu prefiro a noite. Calor e menos roupas? Eu gosto de sentir frio e de usar muita roupa. Festas? Prefiro o sossego de casa. Férias? Eu gosto de trabalhar. Rotina? Não suporto rotinas. Somos incompatíveis, querido verão. Tu ofuscas a poesia e eu vivo por ela.

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