quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Começou para acabar

Começou para acabar. Não é o que acontece com tudo? Tudo o que começa, acaba. Não é que comece exatamente com o fim único de terminar um dia, porém, é a primeira e maior certeza que podemos possuir em qualquer contexto e circunstância. Tudo tem um fim. É a lei da vida, a própria também o tem: a morte. Tudo tem um fim, mas há fins mais dolorosos que outros. Não vacila a consciência de que esta é "a ordem natural das coisas". Contudo, a determinação do pensamento é incapaz de amenizar o pânico do adeus - essa palavra tantas vezes pronunciada e da qual todos querem fugir. Há "coisas" que nos marcam profundamente, pelos mais variados motivos, mas principalmente porque nos mudam, tornando-nos melhores seres humanos e pessoas mais felizes. E por mais intensamente que se viva cada momento não há nada que apazigúe a dor de sentir o fim aproximar-se. O prazo é curto e as saudades são precoces. Somos tão fortes e tão frágeis quando nos deixamos sentir. Mas a vida vale a pena. As alegrias compensam pelo prazer proporcionado. E a vida desenrola-se em dois culminares: prazeres e dores. E há claramente prazeres que provocam dores e dores que proporcionam prazer. Aqui é assim. É tudo muito triste porque é tudo muito bom. Aliás, é melhor que bom, é tudo tão perfeito, tão maravilhoso... E por isso também é tudo mais que triste, é desolador e horripilante. E por isso mesmo acabando, é tão gratificante ter existido!

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