sábado, 26 de novembro de 2016

Quem Quer Ser Arouquense?

Uma vila pacata, longe dos olhares da comunicação social, quase invisível no mapa português e de nome desconhecido para a maior parte do país. Esta era Arouca. Era. Já não é mais. E os motivos da "revolução" são bem diversificados. 
Pode falar-se primeiramente de um clube de futebol que deu os primeiros pontapés nos media por ser treinado pelo apresentador de televisão Jorge Gabriel. Um clube que, alguns anos depois, sem espaço para grandes loucuras e através da competência dos envolvidos, conquistou a primeira liga, e se atreveu, inclusive, a pisar a liderança da mesma (quando venceu o Benfica, em agosto de 2015). Para, três épocas depois, marcar presença na Liga Europa.
Inevitável seria não falar também de uma construção de madeira que acompanha as margens do rio Paiva ao longo de 8kms e que se tornou um fenómeno para todos os curiosos e amantes da natureza. Os Passadiços do Paiva foram um contributo fulcral para colocar "Arouca na Moda", desde os inúmeros artigos publicados nos mais diversos blogues, às infalíveis hashtags e fotografias partilhadas nas redes sociais, passando naturalmente pela imprensa e televisão
Por menos bons motivos, Arouca salta para o panorama noticiário português por ser a naturalidade e transitório esconderijo do homem mais procurado de Portugal, que, sendo acusado de provocar mortes, sequestros e furtos, foge desembaraçadamente às autoridades, durante quatro semanas, acabando por se entregar...onde? Exatamente, em Arouca, para onde correm novamente todos os órgãos de comunicação social. Entre diretos e exclusivos, a palavra "Arouca" é proferida incontáveis vezes para todo o país, (e mundo, através da RTP Internacional). 
É verdade que Arouca sempre foi privilegiada pelo seu património cultural, natural e gastronómico - sempre tão ricos-, no entanto, nunca, nos mais recentes anos, foi tão falada e conhecida e visitada como nestas últimas dezenas de meses. 
Seja pelos frequentes eventos da terra ou pelos cobiçados Passadiços do Paiva; seja pela vitela de Raça Arouquesa ou pelos doces conventuais; seja pela procura e entrega de Pedro Dias ou pelo turismo - sempre tão promovido; seja por concentrar os mais preocupantes incêndios do país ou pelo Futebol Clube de Arouca; Arouca é incansavelmente discutida e já mostrou não ter impedimentos para, de alguma forma, se integrar no agendamento dos media e estar na ordem dos assuntos do dia. E dos meios de comunicação social às conversas de café e de rua a distância é pequena. Se antes quando se dizia que se era de Arouca isso nos obrigava a explicar que o concelho "é uma vila que pertence ao distrito de Aveiro mas é mais perto do Porto", hoje em dia, quando se diz que se é de Arouca não são precisas mais explicações, independentemente de se estar no Norte, Centro ou Sul de Portugal. 
Afinal, o que aconteceu com esta localidade do Douro Litoral? Como é que em escassos anos alcança um estatuto de conhecimento tão elevado? As coisas acontecem. E aqui não foi só uma nem duas, foram várias. E foram concentradas. Se se irão continuar a suceder?, não há como pressagiar. Tal como é também impossível de prognosticar se, daqui a meia dúzia de anos, já todos se esqueceram de onde é, como é e o que existe em Arouca. 
E mesmo que apareça um pouco conhecido jornalista para dizer que Arouca é uma terra feudal - saber-se-á lá porquê - o certo é que, por agora, "Arouca é moda", como dizem por aí. Embora todos saibamos que nenhuma moda dura para sempre, não é verdade!?

Crónica da edição de novembro do Roda Viva Jornal 

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