sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Aos meus Doutores

Mãe, tenho medo
Não me deixes sozinha, peço-te.
Mãe, estás mesmo a deixar-me ir?,
Eu até pensava que ia gostar de viagens de comboio
Mas, nesta, sinto-me perdida e insegura. 
Mãe, já cheguei.
Estou curiosa para conhecer o que me espera, 
Mas continuo com medo. 
Mãe, já não tenho medo, 
Pelo menos da praxe, é divertida!
E já gosto de Coimbra... até nem estou a ser mal acolhida. 
Mãe, hoje, conheci-os
São tantos que nunca vou saber o nome de todos
Mas tratam-me bem, eu juro que tratam! 
Já é sexta-feira e eu já nem quero ir embora. 
Mãe, agora tenho uma segunda família
E gosto muito dela porque tal como contigo
Sinto-me protegida aqui. 
Mãe, eles praxam-me!
E gritam quando as coisas não são bem feitas
E choram quando se ouve a Balada da Despedida do 5ºano jurídico 
Mãe, eles têm alma, dinamismo e convicção a correr-lhes no sangue 
E vestem-se de preto mas as suas almas são coloridas.
Mãe, começo a sentir algumas coisas mais fortes
E a culpa é deles, a culpa é deles
Que nos transmitem valores tão importantes. 
Mãe, isto passa a correr, 
Alguns deles já se foram embora
Isto é um ciclo que a cada volta traz uma nova geração e leva outra.
Mãe, eu já sei o nome de todos
Dos que foram e dos que ficaram e vão continuar a praxar-me
Mãe, quero muito que eles tenham orgulho em mim
Porque eu tenho muito orgulho neles
Naquilo que eles são e naquilo que eles me fazem ser.
Ai, mãe!, o meu coração nunca foi tão pequenino
Como quando nos abraçamos em círculo para ouvir a Balada. 
Sabes, mãe, esta parte bonita já está a acabar. 
Eles fizeram um bom trabalho, eu sei que fizeram...
Mãe, mãe, mãe. Mãe!, olha para mim!
Estou vestida de preto como eles, 
Ainda estou longe de ser como eles
Mas já amo a minha capa, porque eles me ensinaram a amar esta cidade.
Mãe, agora estou ao lado deles, de pé
Em vez de estar à frente, de quatro 
Mas continuo a admirá-los, a respeitá-los
E a olhá-los com orgulho, com tanto orgulho!
Mãe, agora eles vão embora...
Vão mesmo e eu nem consigo acreditar.
Lembras-te de eu ter dito que isto era um ciclo?
Ninguém fica cá para sempre e eles vão-se embora, 
Embora fique sempre em mim um bocadinho de cada um deles.
Mãe, olha só para eles, tão crescidos
Tão lindos e de malas feitas, prontos para uma nova aventura.
Ah, mãe, eu morro um bocadinho ao vê-los partir
Mas estou tão feliz por eles!
E desejo-lhes o melhor, o melhor do mundo.
E estou-lhes tão grata para toda a vida,
Porque se sou feliz aqui, se sinto os valores da cidade, se canto o hino com alma, dinamismo e convicção, se a minha capa é pesada, se a Balada me emociona, se sou uma doutora empenhada, se respeito cada bocado de Coimbra e da praxe .... a culpa é deles. 
E sabes, mãe, eles também foram um bocadinho de mãe para mim.

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