Houve um dia em que vi Coimbra de cima de um camião
Houve um dia em que, trajada (porque me fazes bonita assim)
Te vi, Coimbra, em festa.
E juro-te que foi o dia mais agridoce da minha vida.
Subi ao carro e vi o início e o fim, em união
Chama-se auge, acredito.
E vi-te como a razão dos nossos sorrisos,
Das nossas amizades e... dos nossos amores.
Ah, Coimbra!
Sangro quando escrevo o teu nome.
Lamento pelos que só veêm em ti a boémia
E não percecionam a emoção que és.
És tão mais que poesia que já desisti de tentar cantar-te.
Mas, houve um dia, em que te vi
Seres o tudo e o nada
Seres a alegria e a saudade
Seres o início e o fim.
Como és possível?
Eu subi ao carro para te ver
Eu subi ao carro para te sentir
Para sentir a tua história, o peso da tua tradição
Para saber e sentir que sou estudante de Coimbra
Que faço parte de ti.
E não imaginas como entram em erupção
As minhas emoções quando canto
"Coimbra é nossa e há-de ser até morrer"
Porque é mesmo isso. É mesmo assim.
Até morrer, eu juro-te, haverá parte de mim
Que sangrará sempre que se fale no teu nome,
Coimbra.
Acredito que cada pessoa no mundo tenha uma missão na vida e a minha passe por escrever.
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sexta-feira, 12 de maio de 2017
O dia mais agridoce da minha vida
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
À Dona Irene, qualquer que seja o seu nome.
Era sexta-feira, o dia de lhe irem limpar a casa. Como não gostava de ver os outros limpar, a Dona Irene decidiu apanhar um comboio e ir lanchar a Coimbra. Eram cerca de duas horas de viagem, desde Valadares. Mas o que são duas horas na vida de uma mulher que é sozinha? Há quinze dias atrás, fora com uma amiga, hoje, a amiga não pudera, então, foi assim mesmo, sozinha. Estamos em finais de fevereiro e os primeiros raios de sol já acompanham o dia-a-dia. Ficar em casa num dia assim é pecado.
Foi lanchar a Coimbra, a Dona Irene. E, na viagem de regresso, sentaram-se no banco à sua frente dois estudantes. Eram namorados. Trocavam beijos e mimos durante a viagem. Ele ia sair em Aveiro, ela um pouco mais à frente. Trocavam os beijos da despedida quando, antes de ele sair, a Dona Irene confessa: "Eu só tenho pena de não ter aqui um papel e uma caneta para fazer um risquinho por cada beijo que vocês já trocaram" O jovem casal sorri e Dona Irene acrescenta: "Não me levem a mal, eu gosto muito de ver o amor." O casal volta a sorrir e ele sai despedindo-se dela.
Ela, a jovem, uma amante incondicional de viagens de comboio e da oportunidade de conhecer pessoas e de comunicar, de trocar palavras inéditas com pessoas nunca antes vistas e com quem não havia certeza de se voltar a encontrar. A Dona Irene continuou o seu discurso, a contar como gostava de ver o amor no mundo. A jovem concordava com a senhora que lhe era tão simpática. E conversava com ela, amigavelmente. A Dona Irene contou-lhe que era sozinha, que o marido morrera um mês antes de fazerem cinquenta anos de casados. Na cama do hospital, olhou-a e disse-lhe "amo-te", ela respondeu "Eu também te amo, mas não te consigo salvar", ele fechou os olhos, ela perdeu-o. Cinco anos depois, perdeu o único filho que teve. A nora não lhe fala, o neto, é um jovem nem-nem de 27 anos que pouco lhe liga. Tem uma sobrinha a estudar economia e uma irmã com quem mantém contacto suficiente para falar delas com carinho.
Mas a Dona Irene continua a viver. 80 anos de viagens, de passeios e lanches em cidades diversas, de conversas com desconhecidos, de saudades. 80 anos, ali, à minha frente. E eu senti-me tão pequenina e feliz por me ter cruzado com esta senhora, que decidi chamar Irene mas, na realidade, nunca chegamos a saber o nome uma da outra. É por isto, é tanto por isto, que amo o mundo e a vida e que sou feliz.
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