Somos parvos por termos medo de morrer. Devíamos era ter medo de viver, porque a vida é que nos trama e nos coloca em situações limite. No fundo, a morte é apenas a salvação, o fim da dor, do medo e do fracasso. Somos parvos por termos medo de morrer, quando a vida é que é tão assustadora e ímpia. A incerteza do amanhã é que devia intimidar-nos. Se, ao menos, morressemos, tudo estaria resolvido e nada havia a temer. Mas, se continuarmos vivos, podemos ter de enfrentar os mais desgastantes momentos e as mais fortes mágoas. Enquanto estivermos vivos, os problemas permancerão. Enquanto vivermos, a dor acompanhar-nos-á. Será que os momentos de alegria valem o medo da morte quando postos ao lado dos momentos de dor e sofrimento? Será que o medo que temos é o de morrer ou o de morrer sem termos sido felizes? Andamos uma vida inteira à procura da felicidade. E, cada vez mais insatisfeitos, queremos que a morte nos vá alargando o prazo de procura.
Acredito que cada pessoa no mundo tenha uma missão na vida e a minha passe por escrever.
Mostrar mensagens com a etiqueta Morte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Morte. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 26 de maio de 2017
sábado, 3 de outubro de 2015
E tu, podes morrer agora!?
Podes morrer agora? Podes simplesmente fechar os olhos e morrer?
Vais responder que não, porque nunca se está preparado para morrer. Não te vou julgar. A resposta da maioria seria, certamente, a mesma. Mas alguém tem de ou deveria estar preparado para morrer? Não tem de, nem deve, mas pode estar.
A morte é o ponto fulcral da vida. Mas a morte nem faz parte da vida, não é? Pois é, mas é a morte que faz a vida valer.
Porque é que queremos viver e ser felizes? Porque vamos morrer.
Porque é que temos objetivos, sonhos? Porque vamos morrer.
Queremos fazer mil e uma coisas antes de morrer. Queremos sentir que a vida valeu a pena. E é nesses momentos, quando sentimos que a nossa vida já valeu a pena, que podemos morrer.
Infelizmente, a vida está repleta de altos e baixos. Há dias em que sentimos necessidade de criar novos objetivos, em que vemos injustiça em nosso redor e há também dias em que sentimos que tudo faz sentido, em que a felicidade toma conta de nós e em que podemos morrer. Sentes que até àquele momento nada foi em vão, estás feliz e sentes que tens a maior sorte do mundo por estares a viver determinada situação, se morresses, morrerias com a certeza de que a tua vida havia valido a pena.
Percebes? Já tiveste algum momento assim na tua vida, em que poderias morrer?
(Eu já. Eu podia morrer agora...)
O grande propósito da vida, é, afinal, a morte. Nós nascemos para morrer. Há que tomar consciência disso. Tu vais morrer. E se não sentes que podia ser agora, faz por sentires. Porque, um dia, irás olhar para trás e ver que as tréguas da morte não foram suficientes para teres feito a tua vida valer a pena. Não interessa se vives vinte ou oitenta anos, interessa, sim, que não tenha sido em vão.
domingo, 5 de julho de 2015
Carlota
Meu amor,
Desculpa não ter ficado para o teu casamento.
Desculpa por não te ter levado à escola no primeiro dia de aulas.
Desculpa por não ter estado por cá para te dar os conselhos que a tua adolescência exigiu.
Desculpa por não ter podido cumprir o meu papel de mãe…
Quando leres isto, já terei partido há muito tempo.
Vi-te nos meus sonhos futuristas e eras linda. Quem me dera estar aí para te dar um abraço!
Quando soube que ia morrer em breve, foste a primeira pessoa em quem pensei. Espero que me perdoes por ter estado ausente em quase toda a tua vida. Lembrar-te-ás de mim!?
Estou certa de que o teu pai cumpriu na perfeição o seu papel e até parte do meu. Foi assim, não foi? Eu sei que foi…
O teu pai foi, sem dúvida, o grande amor da minha vida. Nunca amei mais ninguém. Quando o conheci, percebi que tinha andado enganada a pensar que sabia o que era o amor, mas, na verdade, só o soube a sério quando me apaixonei pelo teu pai.
És fruto do mais sublime amor, um fruto muito desejado. Eu e o teu pai amamos-te mais do que tudo!
Infelizmente, eu não pude ficar para te dizer tudo isto, olhos nos olhos, mas sei que ele o fez por mim. Assim como também sei que te terá entregado esta carta, exatamente hoje, no dia em que subirás ao altar.
Peço-te que peças desculpa aos meus netos por não os poder levar ao parque nem dar longos passeios na praia e comer gelados na esplanada. Por não poder ficar com eles todos os sábados à noite em que irás sair com o teu marido. Por falar nele, espero que te trate tão bem como o teu pai me tratou sempre.
Escrevo-te do passado para o futuro, com a sensação de presente. Imagino-te vestida de branco e braço dado ao teu pai a desfilar pela igreja. Vejo toda a família a sorrir-te e a dizer-te o quão linda és. Desculpa por não ter ficado para as fotografias…
Tive que sair mais cedo. O meu corpo assim o exigiu. Pela minha alma teria ficado, mas o corpo foi soberano e eu não resisti.
Quero que saibas que te amo do fundo do coração e vou sempre amar mesmo estando fisicamente ausente.
Beijinhos da tua mãe que teve que ir embora mais cedo.
_____________________________________________________________________________
-Carlota!! Eu sei que as noivas chegam sempre atrasadas, mas por este andar ele pensa que desististe. Despacha-te!
Limpei as lágrimas, a maquilhagem tinha saído, mas não me importei. A minha mãe diria que eu estava linda assim. Dobrei a carta e guardei-a na minha mesinha de cabeceira. Depois do casamento, viria busca-la e levá-la para a minha nova casa. Dei o braço ao meu pai e fui. Quem me dera que Deus me desse tréguas e, pelo menos hoje, a minha mãe pudesse estar comigo…
Subscrever:
Mensagens (Atom)
