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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Somos parvos por termos medo de morrer

Somos parvos por termos medo de morrer. Devíamos era ter medo de viver, porque a vida é que nos trama e nos coloca em situações limite. No fundo, a morte é apenas a salvação, o fim da dor, do medo e do fracasso. Somos parvos por termos medo de morrer, quando a vida é que é tão assustadora e ímpia. A incerteza do amanhã é que devia intimidar-nos. Se, ao menos, morressemos, tudo estaria resolvido e nada havia a temer. Mas, se continuarmos vivos, podemos ter de enfrentar os mais desgastantes momentos e as mais fortes mágoas. Enquanto estivermos vivos, os problemas permancerão. Enquanto vivermos, a dor acompanhar-nos-á. Será que os momentos de alegria valem o medo da morte quando postos ao lado dos momentos de dor e sofrimento? Será que o medo que temos é o de morrer ou o de morrer sem termos sido felizes? Andamos uma vida inteira à procura da felicidade. E, cada vez mais insatisfeitos, queremos que a morte nos vá alargando o prazo de procura.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Finais

O início começa agora. O início do fim. Nascemos a ouvir que nada dura para sempre e, ainda assim, conseguimos espantar-nos com finais. De hoje a pouco tempo, restarão apenas as memórias e a ... saudade. Essa é já tida como certa. E da dor da saudade e da memória mais nada restará. Viveu-se o que se viveu e outro tanto há-de ter ficado por viver. O tempo é soberano e não dá tréguas. Haverá um dia em que subiremos uns degraus de madeira, veremos os outros em baixo, e, lá em cima, havemos de sentir que tudo valeu a pena. Lá em cima, prestes a iniciar a viagem (do fim), havemos de perceber como fomos felizes e como tudo ficará, para sempre, guardado em nós, fazendo-se exatamente parte de nós. Ou não fosse tudo isto, o auge. 

sábado, 4 de junho de 2016

Masoquismo efervescente

Quando nos sentimos felizes quais são exatamente as sensações que nos dominam? Que estupidez querer exatidão quando se fala de sentir. 
Mas que coisa é essa da felicidade e por que razão há tanta gente a queixar-se da sua ausência? 
É que tristezas, desilusões, todos têm, todos expõem, todos partilham. E as alegrias, a sensação de felicidade não pode revelar-se por que razão? 
Sim. Nada dura sempre. Os momentos mudam. Os sentimentos à flor da pele não são sempre semelhantes. Os momentos de felicidade não são eternos. Os de desgosto também não. É por isso que a vida é tão especial.
Não obstante, se promovemos tanto as desilusões e infelicidades porque não valorizamos as - ainda que, por vezes, pequenas - alegrias? 
Somos pessimistas e masoquistas. Não aceitamos o que de bom a vida nos proporciona. Fechamos os olhos aos aspetos positivos como se eles fossem apenas ilusão. Não. Não são. Ilusão é acharmos que tudo o que é bom - só porque é bom - nos está a iludir. 
O mundo seria feliz se as pessoas se deixassem ser felizes. Se entregassem sem medos. Se libertassem das próprias amarras. Não temos porque não agarramos. Não sentimos porque não abrimos o coração. 
Todos os dias acontecem coisas boas e más. E se nada de mau acontecer é porque já foi um bom dia, ainda que rotineiro. Mas quantos de nós nos deitamos na cama, ao final do diz, e pensamos "este dia foi feliz, que bom viver."? Pois... Mas o "Hoje foi um mau dia" ninguém hesita dizer ou pensar. Não há mal nisso. O mal é não sermos equitativos. O mal é só vermos por metades. O mal é este apego ao masoquismo que parece crescer - nas sociedades - a cada dia que passa. Quase que vira moda. Antes, havia a vergonha de confessar uma depressão. Hoje, parece haver orgulho nisso. 
Casos não são casos, é certo. Porém, acusem-se aqueles que assumem a felicidade sem pudor, aqueles que se entregam à vida sem "ses". Acusem-se e eu calo-me. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Fim

Engoles uma reflexão e respingas:
- Eu não vou chorar. Eu não choro. 
No fundo, não queres pensar, apenas desfrutar. 
Sabes que, um dia, tudo irá acabar e é provável que a tua vida volte a deixar de fazer sentido. Por agora, está tudo bem, demasiadamente bem, melhor do que nos teus maiores sonhos. 
Temes mais do que tudo o dia do fim. A cada dia que passa, sabes que ele se aproxima e queres fugir para o passado, voltar ao primeiro dia em que te sentiste assim, ou simplesmente fazer parar todos os relógios do mundo. Sabes que há momentos que poderiam durar para sempre e que esse é um desses momentos.
Agora, no conforto das paredes do teu quarto, as lágrimas soltam-se, uma após outra. O teu tempo está a acabar, sabes que tens que dar lugar a outra pessoa. Isso dói e reconforta ao mesmo tempo. 
Pensas: Porquê eu? Porquê isto na minha vida? Será que mereci? Será que aproveitei a 100%? Terei desperdiçado alguma parte? 
Pensas: Porquê um fim? Porquê este turbilhão de emoções? Porquê estas lágrimas? Alegria, medo, saudade, tristeza, nostalgia? 
Pensas: Quero viver intensamente como se não houvesse amanhã!
Pensas: A vida é tão curta...
Pensas: Porque fiz uma pausa no relógio da vida para escrever isto? 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Que dezembro é este!?

Estamos em dezembro e eu estou triste: não há chuva. 
Tenho saudades dos dias chuvosos, de sair de casa acompanhada pelo meu guarda-chuva e de voltar, à noitinha, semi-encharcada. 
Este ano está a ser muito diferente. É dezembro e não há chuva, nem neve...! Os dias têm sido solarengos e eu não estou a gostar. Porque é que está tudo tão desorganizado? Não chove este inverno? 
Está tudo a perder a piada, assim. 
E eu estou entediada. Quero chuva. Onde posso pedir o livro de reclamações para expressar o meu desagrado perante a sua ausência? 
O outono está perto do fim e tem sido um outono excessivamente seco... Bonito, como todos os outonos, mas muito deprimente. 
Está tudo tão estranho. 
2015 está a ser estranho. Este outono está a ser estranho. E dezembro, está-se mesmo a ver, vai ser estranho. 
Estranho é diferente. Mas este não é um diferente positivo. Nenhum diferente o é. Diferente não é algo que possa caraterizar-se como negativo ou positivo. Simplesmente, estranho é um diferente mais negativo do que positivo. 
E este dezembro, este outono, este ano estão a ser muito estranhos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Porque paramos de correr?

O tempo escapa por entre as entranhas dos dedos, enquanto cerramos os punhos na esperança de o segurar para sempre.
É um erro pensarmos que o tempo nos pertence. O tempo não nos pertence, o que nos pertence são os momentos que o tempo nos proporciona, esses, sim, são nossos, se quisermos.
À medida que o tempo passa, proporciona-nos momentos que visam desculpabilizar-se pela sua efemeridade. Mas será que consegue!? Será que os momentos que o tempo nos proporciona são suficientes para perdoarmos a sua brevidade!? Será que isso depende de nós, que devemos aproveitar cada momento ao máximo!?
Excomungamos tantas vezes o tempo por nos encaminhar tão diretamente para a eternidade e nem paramos para pensar que a culpa não é do tempo, mas nossa, que não lhe atribuímos o justo valor.
Porque se o tempo não espera porque é que nós paramos de correr?