terça-feira, 23 de setembro de 2014

Gostamos de complicar

E quando queremos mesmo muito assumir determinada atitude e não conseguimos? Há uma força, dentro de nós, que nos repele consecutivamente. Queremos enviar aquela mensagem, cumprimentar aquela pessoa quando vamos na rua, queremos soltar aquilo que pensamos através de palavras, queremos demonstrar os sentimentos que há em nós e simplesmente não somos capazes de tal.
Quantas palavras já ficaram por dizer? Quantas atitudes ficaram por tomar? Quantas mensagens por enviar, quantos abraços por dar? Não seria mais fácil se apenas seguíssemos cada pequeno impulso? Não seriamos mais felizes se exprimíssemos tudo quando desejamos, se fossemos transparentes como um copo de água?
Tanta falsidade que há em nós! Tanta falta de coragem, tanto orgulho…
Se gostamos porque não admitimos, se queremos porque não confessamos?, e se as pessoas nos magoam porque é que não falamos ao invés de nos calarmos e guardarmos em segredo rancor pela pessoa?, não seria melhor resolver tudo na hora do que fazer da nossa vida um comboio repleto de carruagens pendentes?
Porque é que nos conformamos sempre com a nossa suposta falta de sorte, porque não lutamos por aquilo que realmente acalentamos, porque não corremos em direção às pessoas que queremos ao nosso lado? Permitimos que as pessoas de quem mais gostamos nos escapem pela calada e quando sentimos a sua falta já não somos capaz de pedir perdão ou correr para elas. Estamos destinados a perder porque o medo assim o determinou, tal como o orgulho e esta falta de vontade e coragem que nos dominam….

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Orgulho

Eis a questão: Será o orgulho algo bom ou mau?


Trará o orgulho felicidade, ou, contrariamente, será um obstáculo à mesma?
O orgulho impede-nos de correr atrás das pessoas que amamos, impede-nos de perdoar os erros dos que nos são mais especiais, faz com que nos afastemos daqueles que, muitas das vezes, queremos próximos.
Sabes quando gostas tanto de uma pessoa e só tens vontade de lhe dizer que a amas e a queres contigo, quando pensas nela todos os dias, todas as noites antes de adormeceres e tens vontade de lhe enviar uma mensagem!? Sabes quando tens saudades dessa pessoa e só queres voltar a estar com ela, mas, ao mesmo tempo, por mero orgulho, não consegues, sequer, olhá-la nos olhos e admitir o quão vulnerável te sentes sem ela!? Acredita, isso é mau. É mau porque sofres, secretamente, e, provavelmente, a outra pessoa sofre igual, porque tal como tu, deixa-se dominar pelo orgulho. Imagina, tantas pessoas a sofrerem por um amor não correspondido e vocês os dois a desperdiçar o amor que vos une…
Por outro lado, imagina que, mesmo sendo uma pessoa orgulhosa, decides, por uma vez, colocar o orgulho de lado e apercebeste que, afinal, a outra pessoa não sente a tua falta como desejavas e encontraste novamente frágil e triste. Esqueces-te de te amar, colocas os outros em primeiro lugar, em vão, ninguém se importa contigo, ninguém merece que te humilhes ao ponto de lutar por alguém que se limita a fugir do teu amor.
Vês, como o orgulho te pode prejudicar, porém, pode, noutras vezes, salvar-te!? Não quebrares o orgulho com quem não merece e seguires em frente far-te-á, decerto, mais feliz que humilhares-te.
Acho que toda a gente deve ser orgulhosa e, antes de colocar o orgulho de parte, analisar muito bem as consequências, pois ao fazê-lo é um risco que está a correr, nunca sabemos ao certo se a outra pessoa merece ou não que quebremos esta barreira de proteção.

domingo, 22 de junho de 2014

Ensaio Filosófico - Adoção Homoparental

Deverá a adoção por parte de casais homossexuais ser permitida?

Num mundo em que 10% da população é homossexual e onde são cada vez mais os países a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, surge a questão da adoção que vem dividir as opiniões da população, gerando até polémica. Torna-se, assim, importante ter uma opinião sólida e fundamentada acerca deste tema.
De um lado, existem as pessoas que consideram que a adoção por parte de casais homossexuais é legítima e, portanto, deve ser permitida; do outro, existem as pessoas que protestam contra esta ideia, afirmando que a adoção por parte de casais homossexuais não é legítima. Eu pertenço ao primeiro grupo: do meu ponto de vista a adoção por parte de casais homossexuais é legítima e deve ser legalizada, por vários motivos:
Segundo a Carta Universal dos Direitos Humanos deve haver igualdade entre os seres humanos, se os casais heterossexuais têm o direito de adotar uma criança, então este direito também deve ser concedido aos casais homossexuais. Por outro lado, se a adoção foi um meio criado para que os casais que desejam ter filhos e não o podem fazer pelo método convencional, possam realizar esse desejo através da adoção, então esta também se destina aos homossexuais, pois para essas pessoas a única forma de realizarem o seu sonho de ter um filho é a adoção, além disto, existem imensas crianças em instituições à espera de um lar que as acolha, de uma família que lhes proporcione amor e conforto, se uma ou mais dessas crianças fossem adotadas por um casal homossexual que lhes desse o carinho de que necessitam, seriam, sem duvida, crianças muito mais felizes e, no futuro, pessoas mais felizes.
Contudo, surgem, por parte daqueles que consideram a adoção por casais do mesmo sexo ilegítima, objeções a esta tese. Dentro dessas objeções encontram-se algumas como: se uma criança tiver pais homossexuais também será homossexual no futuro – isto não é verdade, já que a orientação sexual de uma pessoa em nada depende da orientação sexual dos seus pais ou das pessoas que a rodeiam, mas sim de outros fatores, alguns dos quais genéticos, é algo que já nasce com cada um; também há quem afirme que um filho de homossexuais nunca será uma criança totalmente feliz e será alvo de troça – afirmação que pode ser considerada falsa, pois se uma criança for bem tratada e amada pelos seus pais homossexuais, esta pode ser tão ou mais feliz que outra cujos pais sejam heterossexuais, além disso, existem várias pessoas “diferentes” na sociedade: ou porque têm deficiências, ou têm outra religião, outra cor de pele, ou então porque são filhos de homossexuais, porém, quando estas pessoas são discriminadas a culpa não é delas nem das suas famílias mas sim da sociedade preconceituosa que não as aceita; há, ainda, quem acredite que uma boa educação depende da presença de uma figura masculina e de outra feminina – no entanto, a Ordem dos Psicólogos afirma que “um desenvolvimento saudável não depende da orientação sexual dos pais mas sim da relação que é criada entre pais e filhos”
 Por fim, é possível verificar a legitimidade da adoção por parte de casais do mesmo sexo, e esta deveria ser assim autorizada para fazer cumprir a igualdade referida na Carta Universal dos Direitos Humanos e também para proporcionar a estas pessoas a felicidade pela qual lutam desde há muito tempo; a felicidade e o bem-estar de uns deve contribuir para o bem comum. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Importância dos Laços Afetivos

Perante todas as mudanças que atravessam o mundo atual é fundamental preservar o nosso equilíbrio emocional, reforçando as nossas raízes e os nossos laços afetivos de modo a alcançarmos a felicidade e o nosso bem-estar.
Ninguém é feliz sozinho, o ser humano tem necessidade de dialogar, partilhar emoções e trocar ideias. Não podemos simplesmente voltar as costas ao que nos rodeia e isolar-mo-nos de toda a afetividade. A solidão origina doenças emocionais, como depressão, que só podem ser ultrapassadas com ajuda, ajuda essa da qual também fazem parte as nossas raízes e os laços afetivos.
Com todas as barreiras que a vida nos coloca, temos necessidade de nos agarrar a algo que não nos deixe desistir. E são as pessoas à nossa volta, que através dos laços afetivos que com elas criamos, nos guiam pelo melhor caminho, nos seguram quando estamos a cair e nos levantam quando caímos.
Em caso de doença, por exemplo, é à nossa família e aos nossos amigos que vamos buscar forças para recuperar. Além disso, são os bons momentos que vivemos com eles que nos apaziguam o stress do dia-a-dia.
Em suma, podemos verificar a extrema necessidade que temos em ter pessoas à nossa volta. O nosso equilibro emocional será quebrado se não reforçarmos as nossas raízes bem como os nossos laços afetivos, e com ele o nosso bem-estar e felicidade.

Cátia Cardoso e Tânia Pereira

quarta-feira, 18 de junho de 2014

História da Dona Ester

Trabalhou durante toda a vida a Dona Ester, lutou sempre para dar o melhor à sua família, mesmo com dificuldades criou os três filhos sem que lhes faltasse comida e, acima de tudo, amor. Desde que o marido faleceu que os filhos a internaram num hospício e nunca mais se lembraram da mãe. Deixaram-na sozinha, abandonada
Este é o caso da Dona Ester, que espera injustamente a morte, pois que já se foram todas as metas de vida, porém o mundo não é apenas injusto para ela, essa injustiça alcança uma dimensão universal e intemporal. Esta senhora merecia que os filhos a tratassem como uma rainha, mas como rainhas são tratadas aquelas mães que abandonam os filhos como fez a Dona Teresa, outra vizinha minha.
Onde está, afinal, a justiça? Falo da Dona Ester, podia ter falado das crianças africanas que passam fome, das famílias lutadoras sem nada, dos que roubam e não são castigados ou até dos animais mal tratados e mortos desumanamente.
E se há algo que me revolte, para além de discriminação e preconceito, é injustiça. Por mais que me esforce, não entendo, como é que é possível que num mundo repleto de gente instruída, ninguém seja capaz de parar este desconcerto!?
É por isso que visito a Dona Ester de vez em quando, converso com ela e a tento fazer sorrir por momentos. Está esperta como nunca mas bem vejo, por entre o azul dos olhos, a tristeza que sente em ter perdido a família que pensava que tinha.
E mais que me revoltar, estas injustiças entristecem-me! 




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Teatro

A maior parte das pessoas definiria teatro como “um conjunto de peças dramáticas para apresentação em público, no qual um ou vários atores apresentam uma determinada história que desperta na plateia sentimentos variados”, porém e como quase sempre, eu não me integro jamais nessa maioria.
Para mim, teatro é sempre algo mais do que qualquer outra coisa, é sempre até mais do que a maioria das pessoas que me rodeiam, e coloco, sem hesitar, o teatro no topo da minha tabela de interesses.
Acontece que quando subo a um palco, por mais singelo que seja, eu me reencontro. Quando estou em cima do palco sinto finalmente que sou alguém, quando visto a pele de uma personagem, quando vivo peripécias que não são minhas, quando sinto emoções que não me pertencem é que eu sinto que sou eu.
É como se tudo começasse a fazer sentido para mim, cá em baixo sinto-me vazia, talvez eu tenha nascido com esta sede incontrolável de preencher a minha vida com algo que não me pertence mas apenas dentro do qual me sinto bem, talvez a vida que tento comandar seja demasiado desinteressante ou talvez seja uma vida imposta por uma autoridade superior e que eu me recuso a aceitar.
Em suma, nada me preenche mais do que representar, nada me excita mais que as fantasias do teatro, é fantasmagoricamente avassalador o poder que esta vertente da arte tem sobre mim!
Cátia Cardoso interpreta A Moça em "O Velho Da Horta"

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Constança

A Constança sabia que este dia ia chegar, ela apenas não contava que fosse tão cedo…
Acordou, entorpecida ainda, desgrenhada e frágil como sempre. Os seus ossos estavam cada vez mais vulneráveis, o seu sangue continha cada vez menos nutrientes. A Constança anda obcecada com o seu corpo. Cospe, nas mais grosseiras palavras, que quer ser magra e bonita como a irmã. Não obstante, quer ser melhor que a irmã em tudo quanto lhe seja possível. 
Debicou meia maça e atirou um iogurte líquido para a sua mala. Como sempre, a mãe olhou-a com o esverdeado dos olhos enevoando-se-lhe e um profundo desgosto envolto num enorme sentimento de culpa. A mãe sempre soube que a Constança sempre se sentiu pouco amada, não que o fosse, na realidade, porém, era o que sempre deixava transparecer: uma enorme falta de atenção. Talvez por isso a rebeldia, as tentativas de suicídio, as faltas às aulas, a arrogância, a droga, as bebedeiras…tudo o que voltasse todas as atenções da família apenas e só para si.
Já a irmã mais velha, Marlene, nunca dera problemas: boa aluna, bem comportada, compreensiva com todos, um sorriso sempre no rosto, uma beleza invejável, enfim, uma doçura tremenda. Até mesmo agora com a doença e sabendo que a qualquer momento morreria, esta jovem nunca parou de viver, nunca cruzou os braços nem se conformou com a sua infeliz sorte (…)
Quando a Constança regressou da escola encontrou a casa vazia… Podia ter ligado à mãe para saber se algo se passava com a irmã, mas preferiu sair, fumar uns cigarros com os amigos. É sempre assim, os pais só querem saber da filhinha preferida, muito provavelmente foram dar um passeio os três. E ela? Nunca passará da filha problemática e invejosa. A outra, que se faz de doente, não passa de uma sonsa egocêntrica. Estes são alguns dos pensamentos da Constança, entre outros, mais ímpios, ainda (…)
Passaram quatro semanas desde o funeral. Nem a própria Constança consegue desenhar em palavras as suas emoções. Tem consciência dos seus erros, porém, agora é tarde para lamúrias tão irrelevantes. 
Ela só acalentava ser boa em algo, ter qualidades, ser o motivo de orgulho de alguém, mas sempre que realizava uma boa ação, a irmã realizava outra ainda melhor. Não o fazia propositadamente, seguia os seus instintos que eram bondosos, alcançando mesmo o altruísmo. E porque é que só agora a Constança se apercebe disso? Porque é que só depois de ter magoado todos à sua volta se apercebe que o seu egoísmo e a sua falta de piedade apenas a destruíram? 
Em suma, a Constança apercebe-se de que rejeitou a única oportunidade que teve de fazer algo que orgulhasse verdadeiramente toda a família. Um rim, apenas. Um rim era tudo o que Marlene precisava para viver, e tudo o que Constança lhe negou vezes infinitas em forma de gritos altivos. 
E agora já não há nada a fazer, a irmã partiu para o além e ela ficou agarrada à culpa. E junto com a culpa guarda agora o desejo de fazer algo pela humanidade, o desejo de salvar vidas. Não espera perdão pela vida abateu sem dó nem compaixão.
Seguir medicina, voluntariado, campanhas para recolha de fundos em prol dos países em desenvolvimento, instituições de apoio a vítimas, sejam elas de que o forem, são alguns dos projetos que a Constança tem em mente e dos quais não tenciona desistir, mesmo sabendo que terá de trabalhar arduamente. O futuro espera-a, a humanidade suplica-lhe ajuda. E ela sabe-o, e não o vai ignorar desta vez.