domingo, 29 de março de 2015

Aniquilada

Acendo mais um cigarro na esperança de que me devolva a parte de mim que sinto em falta - não é uma parte, é um todo, o todo. 
Sinto o fumo arranhar-me a garganta e as lágrimas percorrerem-me o rosto. 
O que aconteceu comigo? 
Já ninguém pode devolver-me os anos que sinto que não vivi, apenas fiquei a ver o tempo passar. Ninguém pode apaziguar o turbilhão de sentimentos que há em mim. Perdi-me. Onde fui parar? No que me tornei? Tudo o que eu mais queria era viver... era ser feliz. Ilusões.
E quando caio na realidade, necessito de me abstrair desta, pois que a minha incredulidade perante aquilo em que me transformei é maior do que tudo. 
Tusso, incapaz de controlar o fumo. Impressionante como até ele me domina. 
Eu sempre soube que só tinha uma vida e, agora, apercebo-me de que a desperdicei por completo. Onde é que eu estava com a cabeça quando optei por não viver? Hoje, é tarde de mais, é impossível recuperar o tempo perdido. 
Esmago a beata contra o chão em que estou sentada, da mesma forma como a vida me esmagou contra as minhas inseguranças. Sinto-me aniquilada. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Pensamento do dia

“Não quero ficar insignificante. Quero conquistar o meu lugar no Mundo e trabalhar para a Humanidade. O que sei é que a coragem e a alegria são os fatores mais importantes na vida!” 
- Anne Frank in “Diário de Anne Frank”
_________________________________________________________________________________
Se nunca leram esta obra, a sério, leiam! Tão simples, tão verdadeira, tão apaixonante e comovente. Dos melhores livros do mundo, estou certa. 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Valeu a pena?

Quando olhares para as tuas mãos e vires as linhas do tempo, quando te olhares no espelho e verificares no teu rosto as marcas da velhice, o que pairará no teu pensamento? 
Ter-te-ás casado, terás filhos, netos e, quem sabe, até bisnetos. Terás, talvez, sobrinhos e serás o elemento mais velho da família...
Quando esse dia chegar será que vais sentir que a tua vida valeu a pena? Ou será que vais sentir que ficou algo por fazer, por viver? Será que vais querer voltar no tempo para reviver os teus melhores momentos ou, mais do que isso, para corrigires cada erro cometido? 
Quando, daqui a muitos anos, este presente for um passado longínquo e o futuro longínquo for o presente, o que restará em ti? 
Não viverás para sempre e podes mesmo nem chegar a esse “daqui a muitos anos”. Podes morrer daqui a um ano, um mês, uma semana, um dia, uma hora… Sentes que fizeste tudo o que era suposto fazeres ou sentes que estás a deixar muitas coisas ficarem para trás? Por que é que não te agarras àquilo que realmente queres? Um dia, será tarde de mais. Um dia, poderás olhar para trás e concluir que nada valeu a pena, pois a tua alma sempre foi pequena.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Pensamento do dia

De tal maneira perdida que nem sei já o que sinto, ou se sinto, ou se deveria sentir ou se seria suposto parar de sentir. Que me livre Deus, se existir, desta agonia desmedida, desta angústia persistente que quer levar-me à loucura, se é que já não levou. Que eu morro ou mato-me por demência... 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Quando repelimos a felicidade...

E quantas vezes já nos repelimos de ser felizes? Quantas vezes passamos mesmo ao lado do caminho para a nossa felicidade? Quantas vezes nos sentimos os próprios culpados da nossa infelicidade? Porquê? Porque damos demasiada importância ao que muitas vezes não merece nem um minuto da nossa atenção. Porque não nos dedicamos convenientemente ás coisas boas da vida. Porque nos esquecemos de lutar pelos nossos objetivos. Porque desistimos dos nossos sonhos. E só depois, quando acordamos para a realidade, é que nos apercebemos que erramos, que escolhemos, muitas vezes, o pior caminho, e que estamos a viver as consequências das nossas decisões que, não foram, grande parte das vezes, as melhores.
Então pensemos sempre muito bem antes de tomar qualquer decisão, e escolhamos sempre o caminho que nos for, certamente, o mais adequado para cada etapa da nossa vida. Deste modo, evitaremos tristeza em nosso redor e sorriremos todos os dias com uma grande vontade de viver a vida...

sábado, 20 de dezembro de 2014

Tudo muda

Vivemos tão focados na nossa rotina que quase nem temos tempo para parar e analisar. Analisar a nossa própria vida. É que tudo mudou, mas quase nem nos apercebemos. Também não queremos, não queremos porque sabemos que nos vamos desiludir com as mudanças. O facto é que já nada está como antes, já nada é o que era e é esse facto que tentamos ignorar. Tentamos não sentir saudades do passado, porém, sempre chega um dia em que não dá mais para ignorar o que nos perturba. Nesse dia, em que paramos para pensar, para analisar, apercebemo-nos do que perdemos, do que tivemos e deixamos escapar, por nossa própria culpa, pois não fizemos nada para evitar que isso acontecesse. Dói ver que perdemos pessoas que gostavam de nós, simplesmente, porque acabamos por nunca ter tempo para elas, estávamos demasiado ocupados com a rotina, com o trabalho, com as obrigações que não queríamos falhar, não fomos, sequer, capazes de buscar um pouco do nosso tempo para dedicar a quem nos dedicava grande parte do seu tempo. Percebemos o quão ingratos fomos e o quão justo é este sentimento de nostalgia e arrependimento. Esperamos que a pessoa volte, mas ela não volta, seguiu com a sua vida da qual já não fazemos parte, e isso é o mais triste, ficamos a matutar em vão. Devíamos analisar sempre muito bem tudo à nossa volta, as pessoas, os momentos, os bens materiais… um dia tudo pode ir-se embora e não há nada mais triste do que o dia em que percebemos que perdemos tudo o que sempre quisemos ter e nem soubemos que chegamos, efetivamente, a ter.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Naquela noite...

Naquela noite fria de inverno, em que o meu coração punha vista à hipotermia, implorando por calor, chamei por ti…
Chamei por ti mas e tu não apareceste. 
Procurei-te no escuro dessa noite gélida. A neve derretia-se-me por entre as frinchas dos dedos, deixando-me as mãos molhadas. Pé ante pé, enterrando-me naquele branco manto, gritei o teu nome. Supliquei a tua presença. Sem êxito. Onde estavas? Quisera eu saber. Mas tu não estavas. 
As minhas pernas perderam as forças e deixaram-se cair. A neve estava fria e esfriava-me o corpo, porém, aquele gelo derretia. Mas o gelo encubado que coexistiu no meu coração permanecia em estado sólido. 
Naquela noite sinistra, chamei por ti, gritei o teu nome, supliquei a tua presença, e tu não vieste derreter o gelo doloroso que eu carregava no peito.