Filipe Vieira Branco é mais um jovem escritor. Distingue-o o seu altruísmo, a sua vontade de ajudar as pessoas que vivem no mesmo mundo que ele. Publicou o primeiro volume de uma sequela, está a preparar um livro autobiográfico e, enquanto vive em Itália, onde se encontra num projeto de voluntariado, lançou um projeto que visa ajudar uma instituição da sua terra.
Publicar um livro sempre foi um sonho, para ti?
Sim, sempre. Pelo menos desde que
me lembro de ter gosto em escrever.
Com que se podem deparar os leitores de "O Dia Em Que Nasci"
?
Com uma história em que criei um
género de distopia, acompanhando a aventura de um jovem que parte à descoberta
de um mundo que desconhecia por completo. Podem deparar-se também com algum
mistério e com algumas questões que quis levantar sobre a forma como estamos a
viver atualmente.
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| O autor com os pais e o seu livro |
Escreves por gosto ou para te libertares, descarregares frustrações?
Por gosto, primeiro. Mas a
escrita para mim é sempre uma forma de descarregar sentimentos, sejam eles
frustrações ou não. É também por isso que há muitos textos meus que ninguém irá
ler. Às vezes são também como exercícios que faço só para mim.
Além da escrita, fazes voluntariado. Em que sentido isso te completa
como pessoa?
Quando se é voluntário,
aprende-se a ver o mundo de outra perspectiva. Cruzamo-nos com diversas
realidades. Tudo muda. E é difícil explicar isto, mas acredito que começamos a
dar mais valor às pequenas coisas que temos. Isso completa muito o meu ser.
Preciso de sentir isso para viver. E já nem conseguiria viver sem estar ligado
a algum projecto de voluntariado.
Achas que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas fossem mais
altruístas?
Seria um lugar muito melhor. Não
tenho qualquer dúvida. Faz falta, a algumas pessoas, saírem da sua bolha e
entrarem por momentos nas realidades dos outros, mas entrar mesmo a sério.
Participar, ajudar, experimentar. Se a sociedade no geral se baseasse mais em
sentimentos destes, seríamos todos mais felizes. O egoísmo nunca foi positivo
para ninguém.
Neste momento, estás em Itália, num projeto de voluntariado, na cidade
de Forlí. A cidade inspira-te e
impele-te para a escrita ou o dever fala mais alto e não há grande tempo para
escrever?
Não falo só da cidade onde vivo,
porque felizmente tenho viajado bastante por outras cidades, mas sim...
inspiram-me e muito. Tenho escrito bastante, embora gostasse de ter mais tempo
para isso. E até tenho muito tempo livre, mas há sempre algo para fazer com
outros voluntários. E por outro lado, tento não ficar demasiado abstraído da
realidade que estou a viver neste projecto único (e que só se tem uma vez na
vida!).
No dia 31 de janeiro, anunciaste
um novo projeto - "O Elevador". Explica esse projeto.
No ano passado, estava a fazer
uma apresentação pública do meu primeiro livro ("O Dia em que Nasci") e uma
grande amiga minha levou até lá dois rapazes do Lar de Infância e Juventude de
Torres Novas. Aí tive um contacto directo com esses dois jovens e foi algo que
me marcou e emocionou de uma forma tremenda. Sei que as suas vidas, e dos
outros rapazes do Lar, não são fáceis. Ou não eram, pois agora na instituição têm
todo o tipo de apoio que se pode esperar para estas situações (alguns jovens vêm
de contextos sociais muito complicados). Essa minha amiga é técnica de acção
social e trabalha muitas vezes com eles, e daí foi surgindo uma ideia de ajudar
o Lar de alguma forma. Entretanto vim embora para Itália mas não deixei a ideia
de parte. Decidi portanto publicar o conto “O Elevador” com o valor de 1€ a
reverter para o Lar dos Rapazes. Para além de ser uma história que fala sobre
um mal que está a assolar a sociedade, a tal falta de altruísmo, achei que
seria muito mais completa se fosse associada a uma causa maior como esta.
Tencionas ajudar pessoas com a tua escrita, não só monetariamente, mas
também através do conteúdo das tuas palavras? Qual é o teu maior objetivo
quando escreves?
Sim. Esse é um dos meus
objectivos, conseguir fazer com que alguém, através da minha escrita, consiga
processar os seus próprios sentimentos, as suas dúvidas. Depois do primeiro
livro publicado, um dos melhores momentos que tive foi ouvir outra pessoa falar
sobre aquilo que eu tinha escrito e sobre como isso lhe tinha levantado tantos
pensamentos e questões sobre a vida e o mundo. Quero continuar a despertar esse
tipo de sensação.
Pensas voltar a publicar um livro? O que podes adiantar sobre isso?
Sim. “O Dia em que Nasci” vai ter
uma sequela. Planeio lançar esse livro lá para 2017. Mas entretanto, ainda este
ano, lançarei o meu livro biográfico, que conta a minha história desde o dia em
que cheguei a casa e contei aos meus pais “Sou gay!”. Esse livro já tem um
título e tenho preparada uma campanha especial para o divulgar. Por isso, o
título que escolhi não vai dar apenas nome ao livro. Mas por agora ainda é tudo
segredo. Só há uma pessoa que sabe o nome do livro. A minha irmã. E não é por
acaso. O tal título é algo realmente especial, mas não consegui escondê-lo da
pessoa que mais me protegeu em toda a história que este conta.
Quais são os sonhos que já concretizaste e os que ainda tens para
tornar reais?
É um pouco estranho dizer isto, e
nada romântico, mas não me sinto em busca de realizar algum sonho agora. O meu
maior sonho era publicar o livro. Tinha outro que era visitar Itália e Firenze
(Florença). Realizei esses 3 sonhos no ano passado, mesmo antes de chegar aos
30 anos (que completei há uns dias). Quero com isto dizer que fechei um ciclo
de sonhos perfeitamente. Claro que tenho outros objectivos, outros vão
surgindo, mas tudo o que vier agora é sempre por acréscimo. E depois de chegar
aos 30 acho que é tempo de começar a inventar outras ambições.
Se tivesses direito a 3 coisas para dizeres ao mundo inteiro, o que
dirias?
Primeiro, dizia que temos que
acabar com todo e qualquer preconceito. Depois, dizia que devemos basear-nos
mais no amor e colocar de lado a palavra ódio (que é uma palavra que eu detesto
até escrever!). E, por fim, dizia a todos para verem menos televisão e passarem
a ler mais. E depois de dizer uma coisa destas seria pouco adorado,
provavelmente. Mas eu nunca fui de dizer só coisas bonitas (risos).
Para mais informações, podem consultar a página do Filipe.












