Este dezembro chegou. Algum dia haveria de chegar este dezembro do ano de 2016. Chegou, talvez mais cedo do que aquilo que eu mesma teria gostado. Ou talvez eu - que nada sou - desejasse que este dezembro nunca chegasse. E se calhar até que nenhum dezembro chegasse. É frio, eu sei. E ainda há outono aqui. Porém, é escasso em alegrias, sem o ser no seu antónimo. É que este dezembro é mais frio que os outros. Traz em si flocos de neve capazes de se entranharem no meu corpo e gelarem cada osso com que me construo e me faço gente. Este dezembro é frio e isento de qualquer pedaço de poesia. Este dezembro é o mês que eu não quero no meu calendário, é a minha menos querida forma de terminar um ano guloso. Este dezembro chegou, ainda agora, e eu - que nada sou, eu sei - só clamo que se vá o mais depressa possível. E acrescento até um "por favor".
Acredito que cada pessoa no mundo tenha uma missão na vida e a minha passe por escrever.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
domingo, 27 de novembro de 2016
O fomento da arte ou o desvalor da mesma?
Anda por aí a vaguear a notícia de que os museus passarão a ser grátis aos domingos e feriados de manhã - com outros pormenores que por aí escreveram e que agora não interessam nada. A gratuitidade dos museus - ainda que apenas nas manhãs dominicais - parece estar a agradar aos leitores dos media portugueses, bem como aos amantes de museus, arte e património.
Fomentar a arte e a cultura deve sempre ser prioridade de qualquer governo - não tem sido - porém, mais do que qualquer outra área, a cultura deve ser valorizada - também não tem sido como deve ser - e esta medida, embora possa promover a cultura também pode ser apontada como uma desvalorização à mesma. Oxalá não seja, mas a verdade é que ninguém preza da mesma forma uma coisa que lhe foi oferecida gratuitamente e uma coisa que exigiu de si algum - ainda que simbólico - esforço (financeiro).
E é mais que óbvio que o governo deve facilitar o acesso à arte e os museus são verdadeiros cofres de arte. Porém, que se tenha sempre em consciência o valor que pode aqui estar a ser colocado em causa.
Na sociedade portuguesa é cada vez mais típica a preguiça em pagar para aceder à arte, as mentalidades nacionais continuam a pensar que os artistas não devem ser pagos, porque ser artista não é profissão nenhuma, porque isto e aquilo. É preguiça, é mesmo preguiça. Por que razão deve a arte ser gratuita? A resposta é simples: porque é desvalorizada. Somente quem entende o valor artístico pode compreender o quão justificável é que esse mesmo seja recompensado.
Quem gosta de comida, paga para ir a um bom restaurante, tal como quem gosta de moda, paga para adquirir as roupas e acessórios, e quem gosta de futebol, paga para assistir aos jogos; e ninguém se importa, ninguém se queixa. Porque gostam, porque veem os gastos como um investimento - uma despesa que nos traz felicidade chama-se investimento. Então, invistam na arte, se a apreciarem. Só não exijam gratuidade neste campo, quando não a exigem noutros, independentemente de se estar aqui a falar de algo diretamente relacionado com o Estado.
Têm grande lógica os descontos - para estudantes, desempregados e reformados - mas o carater gratuito revela aqui uma pincelada de desprezo e isso não pode ficar silenciado.
Fomentar a arte e a cultura deve sempre ser prioridade de qualquer governo - não tem sido - porém, mais do que qualquer outra área, a cultura deve ser valorizada - também não tem sido como deve ser - e esta medida, embora possa promover a cultura também pode ser apontada como uma desvalorização à mesma. Oxalá não seja, mas a verdade é que ninguém preza da mesma forma uma coisa que lhe foi oferecida gratuitamente e uma coisa que exigiu de si algum - ainda que simbólico - esforço (financeiro).
E é mais que óbvio que o governo deve facilitar o acesso à arte e os museus são verdadeiros cofres de arte. Porém, que se tenha sempre em consciência o valor que pode aqui estar a ser colocado em causa.
Na sociedade portuguesa é cada vez mais típica a preguiça em pagar para aceder à arte, as mentalidades nacionais continuam a pensar que os artistas não devem ser pagos, porque ser artista não é profissão nenhuma, porque isto e aquilo. É preguiça, é mesmo preguiça. Por que razão deve a arte ser gratuita? A resposta é simples: porque é desvalorizada. Somente quem entende o valor artístico pode compreender o quão justificável é que esse mesmo seja recompensado.
Quem gosta de comida, paga para ir a um bom restaurante, tal como quem gosta de moda, paga para adquirir as roupas e acessórios, e quem gosta de futebol, paga para assistir aos jogos; e ninguém se importa, ninguém se queixa. Porque gostam, porque veem os gastos como um investimento - uma despesa que nos traz felicidade chama-se investimento. Então, invistam na arte, se a apreciarem. Só não exijam gratuidade neste campo, quando não a exigem noutros, independentemente de se estar aqui a falar de algo diretamente relacionado com o Estado.
Têm grande lógica os descontos - para estudantes, desempregados e reformados - mas o carater gratuito revela aqui uma pincelada de desprezo e isso não pode ficar silenciado.
Ainda assim, que tais palavras aqui escritas o tenham sido erradamente para que a desvalorização mencionada não exista. Acima de tudo, aprovem-se as medidas que se aprovarem, que se preze sempre aquilo que de mais especial um país pode ter: a arte. E com ela, a cultura e o património.
sábado, 26 de novembro de 2016
Quem Quer Ser Arouquense?
Uma vila pacata, longe dos olhares da comunicação social, quase invisível no mapa português e de nome desconhecido para a maior parte do país. Esta era Arouca. Era. Já não é mais. E os motivos da "revolução" são bem diversificados.
Pode falar-se primeiramente de um clube de futebol que deu os primeiros pontapés nos media por ser treinado pelo apresentador de televisão Jorge Gabriel. Um clube que, alguns anos depois, sem espaço para grandes loucuras e através da competência dos envolvidos, conquistou a primeira liga, e se atreveu, inclusive, a pisar a liderança da mesma (quando venceu o Benfica, em agosto de 2015). Para, três épocas depois, marcar presença na Liga Europa.
Inevitável seria não falar também de uma construção de madeira que acompanha as margens do rio Paiva ao longo de 8kms e que se tornou um fenómeno para todos os curiosos e amantes da natureza. Os Passadiços do Paiva foram um contributo fulcral para colocar "Arouca na Moda", desde os inúmeros artigos publicados nos mais diversos blogues, às infalíveis hashtags e fotografias partilhadas nas redes sociais, passando naturalmente pela imprensa e televisão
Por menos bons motivos, Arouca salta para o panorama noticiário português por ser a naturalidade e transitório esconderijo do homem mais procurado de Portugal, que, sendo acusado de provocar mortes, sequestros e furtos, foge desembaraçadamente às autoridades, durante quatro semanas, acabando por se entregar...onde? Exatamente, em Arouca, para onde correm novamente todos os órgãos de comunicação social. Entre diretos e exclusivos, a palavra "Arouca" é proferida incontáveis vezes para todo o país, (e mundo, através da RTP Internacional).
É verdade que Arouca sempre foi privilegiada pelo seu património cultural, natural e gastronómico - sempre tão ricos-, no entanto, nunca, nos mais recentes anos, foi tão falada e conhecida e visitada como nestas últimas dezenas de meses.
Seja pelos frequentes eventos da terra ou pelos cobiçados Passadiços do Paiva; seja pela vitela de Raça Arouquesa ou pelos doces conventuais; seja pela procura e entrega de Pedro Dias ou pelo turismo - sempre tão promovido; seja por concentrar os mais preocupantes incêndios do país ou pelo Futebol Clube de Arouca; Arouca é incansavelmente discutida e já mostrou não ter impedimentos para, de alguma forma, se integrar no agendamento dos media e estar na ordem dos assuntos do dia. E dos meios de comunicação social às conversas de café e de rua a distância é pequena. Se antes quando se dizia que se era de Arouca isso nos obrigava a explicar que o concelho "é uma vila que pertence ao distrito de Aveiro mas é mais perto do Porto", hoje em dia, quando se diz que se é de Arouca não são precisas mais explicações, independentemente de se estar no Norte, Centro ou Sul de Portugal.
Afinal, o que aconteceu com esta localidade do Douro Litoral? Como é que em escassos anos alcança um estatuto de conhecimento tão elevado? As coisas acontecem. E aqui não foi só uma nem duas, foram várias. E foram concentradas. Se se irão continuar a suceder?, não há como pressagiar. Tal como é também impossível de prognosticar se, daqui a meia dúzia de anos, já todos se esqueceram de onde é, como é e o que existe em Arouca.
E mesmo que apareça um pouco conhecido jornalista para dizer que Arouca é uma terra feudal - saber-se-á lá porquê - o certo é que, por agora, "Arouca é moda", como dizem por aí. Embora todos saibamos que nenhuma moda dura para sempre, não é verdade!?
Inevitável seria não falar também de uma construção de madeira que acompanha as margens do rio Paiva ao longo de 8kms e que se tornou um fenómeno para todos os curiosos e amantes da natureza. Os Passadiços do Paiva foram um contributo fulcral para colocar "Arouca na Moda", desde os inúmeros artigos publicados nos mais diversos blogues, às infalíveis hashtags e fotografias partilhadas nas redes sociais, passando naturalmente pela imprensa e televisão
Por menos bons motivos, Arouca salta para o panorama noticiário português por ser a naturalidade e transitório esconderijo do homem mais procurado de Portugal, que, sendo acusado de provocar mortes, sequestros e furtos, foge desembaraçadamente às autoridades, durante quatro semanas, acabando por se entregar...onde? Exatamente, em Arouca, para onde correm novamente todos os órgãos de comunicação social. Entre diretos e exclusivos, a palavra "Arouca" é proferida incontáveis vezes para todo o país, (e mundo, através da RTP Internacional).
É verdade que Arouca sempre foi privilegiada pelo seu património cultural, natural e gastronómico - sempre tão ricos-, no entanto, nunca, nos mais recentes anos, foi tão falada e conhecida e visitada como nestas últimas dezenas de meses.
Seja pelos frequentes eventos da terra ou pelos cobiçados Passadiços do Paiva; seja pela vitela de Raça Arouquesa ou pelos doces conventuais; seja pela procura e entrega de Pedro Dias ou pelo turismo - sempre tão promovido; seja por concentrar os mais preocupantes incêndios do país ou pelo Futebol Clube de Arouca; Arouca é incansavelmente discutida e já mostrou não ter impedimentos para, de alguma forma, se integrar no agendamento dos media e estar na ordem dos assuntos do dia. E dos meios de comunicação social às conversas de café e de rua a distância é pequena. Se antes quando se dizia que se era de Arouca isso nos obrigava a explicar que o concelho "é uma vila que pertence ao distrito de Aveiro mas é mais perto do Porto", hoje em dia, quando se diz que se é de Arouca não são precisas mais explicações, independentemente de se estar no Norte, Centro ou Sul de Portugal.
Afinal, o que aconteceu com esta localidade do Douro Litoral? Como é que em escassos anos alcança um estatuto de conhecimento tão elevado? As coisas acontecem. E aqui não foi só uma nem duas, foram várias. E foram concentradas. Se se irão continuar a suceder?, não há como pressagiar. Tal como é também impossível de prognosticar se, daqui a meia dúzia de anos, já todos se esqueceram de onde é, como é e o que existe em Arouca.
E mesmo que apareça um pouco conhecido jornalista para dizer que Arouca é uma terra feudal - saber-se-á lá porquê - o certo é que, por agora, "Arouca é moda", como dizem por aí. Embora todos saibamos que nenhuma moda dura para sempre, não é verdade!?
Crónica da edição de novembro do Roda Viva Jornal
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Amo o Campo, mas sou da Cidade.
É verdade que cresci junto às margens do rio menos poluído da Europa e que a natureza sempre me inspirou e me fez feliz. Sempre fui da aldeia, mas sempre amei a cidade. Pela sua imensidão de luzes, pelo barulho dos carros, pelo tão simples acesso à arte e à cultura, pelo stress do dia-a-dia, pela sua dinâmica tão mais viva que a da aldeia. Hoje, sei que, como em todos os dias da minha vida, desde sempre, amo a aldeia e o campo, mas sou da cidade. Sou-lhe pela forma como me entrego e a abraço em mim, pela forma como lhe dou de mim e me envolvo nas suas iniciativas. E continuo a ser grande apreciadora da aldeia e do campo, a amar o rio e a serra, a gostar do descanso ali proporcionado. Mas hoje sei que não posso voltar às costas à rotina da cidade, à azafama de um dia-a-dia agitado, onde se corre contra o tempo, mas há tempo para um café de final de tarde, numa pastelaria do centro da cidade, onde o cheiro do pão acabado de sair do forno não cessa. E há tempo para ir ao cinema, ao teatro e a todos os espetáculos que nos incubem interesse. E sou da cidade, seja uma grande ou uma mais pequena, seja uma industrial ou uma mais cultural. Sou da cidade porque quero e porque é onde me sinto em casa, embora não viva sem a aldeia e tudo o que a esta está ligado, mas sou da cidade.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Outono e ruas
Está tão bonita a rua, escondida pelas folhas, que, em jeito de rebeldia, se soltaram das árvores.
Está tão bonita a rua, pela manhã, quando ainda não foi varrida.
Está tão bonita a rua, sobre a qual posso caminhar enquanto pontapeio folhas.
Está tão bonita a rua.
Por favor, olhem todos.
Demora um minuto, ou cinco segundos.
Tudo depende da intensidade e entrega do olhar.
Mas está tão bonita a rua, agora molhada pela chuva.
Está tão bonita a rua.
Transmite delicadeza e amor.
Transmite paz e felicidade.
Está tão bonita a rua.
Eu juro que a rua está tão bonita.
Está tão bonita a rua, pela manhã, quando ainda não foi varrida.
Está tão bonita a rua, sobre a qual posso caminhar enquanto pontapeio folhas.
Está tão bonita a rua.
Por favor, olhem todos.Demora um minuto, ou cinco segundos.
Tudo depende da intensidade e entrega do olhar.
Mas está tão bonita a rua, agora molhada pela chuva.
Está tão bonita a rua.
Transmite delicadeza e amor.
Transmite paz e felicidade.
Está tão bonita a rua.
Eu juro que a rua está tão bonita.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
21 de outubro, 15:31
Gosto de estações de comboios. Acho que gostaria de qualquer forma, mas Coimbra tem-me permitido fomentar este pequeno amor. Gosto de estações de comboios ao ponto de sair propositadamente uma hora mais cedo de casa só para ficar na estação, a observar e a sentir o contexto e o ambiente.
Gosto do som das malas a deslizar pela linha, dos telefonemas a dizer a hora de chegada, das despedidas, dos reencontros. E gosto ainda mais quando estou de caderno e caneta na mão a registar tudo isso.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Posturas
A nossa passagem é sempre mais curta do que aquilo que gostaríamos. Embora poucos admitam um desejo de eternidade, muitos são os que acrescentariam, se pudessem, décadas de anos aos que lhes estão destinados a viver. E somente a sensação de que se viveu intensamente pode aliviar a dor do pensamento de morte/fim. Não, não se consome todo o desalento, o fim é algo que, não só na vida, nos transtorna e nos desassossega de forma inevitável. No entanto, a entrega cedida aos momentos e o vivenciar cada um intensamente são formas de amenizar as feridas do adeus - ou do medo dele. E são também posturas que em muito contribuem para a felicidade e satisfação pessoais.
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